Ácaro rajado ameaça lavouras de mamão e exige monitoramento constante no campo

Praga pode comprometer folhas, frutos e produtividade da cultura, principalmente durante períodos de clima quente e seco.

João Victor Almeida - Imagem: Schutterstock

6/15/20262 min read

A presença do ácaro rajado tem se tornado uma das principais preocupações dos produtores de mamão, especialmente em períodos de temperaturas elevadas e baixa umidade. A praga, conhecida cientificamente como Tetranychus urticae, possui alta capacidade de multiplicação e pode causar prejuízos significativos ao desenvolvimento das plantas, reduzindo a produtividade e a qualidade dos frutos.

O ácaro se alimenta da seiva do mamoeiro, perfurando os tecidos vegetais e destruindo células importantes para o crescimento da planta. Os primeiros sinais de infestação geralmente aparecem nas folhas, que passam a apresentar manchas amareladas, perda de vigor e, em casos mais severos, necrose e queda prematura.

Além dos danos à parte vegetativa, o ataque da praga pode afetar diretamente a produção. Com a redução da área foliar responsável pela fotossíntese, a planta perde capacidade de desenvolvimento, comprometendo o enchimento dos frutos, reduzindo seu tamanho e impactando negativamente a qualidade final da colheita.

O ácaro rajado costuma se instalar inicialmente na parte inferior das folhas, próximo às nervuras, local onde encontra condições favoráveis para sua reprodução e proteção. Com o avanço da infestação, a praga se espalha rapidamente por toda a planta, tornando o controle mais difícil e aumentando os prejuízos na lavoura.

Especialistas recomendam que o manejo preventivo seja uma das principais estratégias para reduzir os riscos. A eliminação de plantas daninhas ao redor da área de cultivo é considerada uma medida importante, já que muitas espécies invasoras servem como abrigo e fonte de alimento para o ácaro, favorecendo sua permanência e multiplicação no ambiente.

O monitoramento frequente também é fundamental. Inspeções regulares na face inferior das folhas permitem identificar os primeiros focos da praga e iniciar o controle antes que a infestação se espalhe por grandes áreas da propriedade. Quanto mais cedo o problema for detectado, maiores são as chances de evitar perdas econômicas.

Outra alternativa apontada pelos especialistas é a utilização de variedades com maior tolerância ao ataque. Algumas cultivares apresentam características que dificultam a instalação e o desenvolvimento da praga, contribuindo para reduzir os danos na lavoura. No entanto, mesmo nessas condições, o acompanhamento constante continua sendo indispensável.

Entre as ferramentas disponíveis para o controle estão os acaricidas registrados para a cultura do mamão, além de soluções à base de enxofre e calda sulfocálcica, que podem atuar como repelentes naturais. O controle biológico também vem ganhando espaço como alternativa sustentável, contribuindo para o equilíbrio do ambiente produtivo.

Por outro lado, especialistas alertam para o uso criterioso de determinados produtos químicos, como piretróides e organofosforados, que podem eliminar inimigos naturais da praga e favorecer novos surtos de infestação. O manejo nutricional também merece atenção, já que o excesso de nitrogênio pode criar condições favoráveis para o desenvolvimento do ácaro.

Diante desse cenário, o controle eficiente do ácaro rajado depende da combinação de monitoramento constante, manejo integrado, nutrição equilibrada e adoção de práticas preventivas. Essas ações são fundamentais para preservar a sanidade das plantas, garantir a qualidade dos frutos e manter a rentabilidade da produção de mamão.

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