Açúcar avança com expectativa de déficit global e riscos climáticos
Mercado reage às projeções de menor oferta mundial e acompanha impactos do clima na Índia e do El Niño sobre a produção.
João Victor Almeida - Foto: Schutterstock
8/4/20262 min read


Os preços internacionais do açúcar seguem em trajetória de alta nesta terça-feira (4), impulsionados pelas expectativas de um mercado global mais apertado na safra 2026/27. As cotações avançam tanto na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) quanto na ICE Europe, em Londres, refletindo revisões que apontam para um déficit mundial da commodity e preocupações com as condições climáticas em importantes países produtores.
Na Bolsa de Nova York, o contrato com vencimento em outubro era negociado em torno de 15,05 cents de dólar por libra-peso, enquanto o contrato para março de 2027 também registrava valorização. Em Londres, os contratos do açúcar branco apresentavam ganhos consistentes, reforçando o movimento positivo observado no mercado internacional.
O principal fator de sustentação das cotações é a mudança nas projeções para o balanço global de oferta e demanda. Nos últimos dias, diversas consultorias revisaram suas estimativas e passaram a prever déficit na safra 2026/27. A Covrig Analytics passou de uma previsão de superávit para um déficit de 300 mil toneladas, enquanto a Green Pool Commodity Specialists ampliou sua estimativa de déficit para 3,3 milhões de toneladas. Já a StoneX elevou sua projeção para um déficit de 1,7 milhão de toneladas, reforçando a percepção de um mercado mais ajustado.
Além das perspectivas de menor oferta global, as condições climáticas na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar, seguem no centro das atenções. As previsões indicam que o período de monções entre agosto e setembro poderá registrar chuvas abaixo da média histórica. Embora o volume de precipitações tenha apresentado melhora nas últimas semanas, o acumulado ainda permanece inferior ao normal, mantendo incertezas sobre o desenvolvimento da safra de cana-de-açúcar no país.
Outro elemento que aumenta a cautela dos investidores é a possibilidade de um El Niño de forte intensidade. O fenômeno climático pode alterar o regime de chuvas em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia, reduzindo a produtividade dos canaviais e comprometendo a oferta mundial da commodity. Esse cenário tem levado o mercado a incorporar um prêmio de risco às cotações.
Uma pesquisa realizada pela Reuters com operadores e analistas também reforça essa perspectiva. O levantamento indica que o mercado mundial poderá passar de um superávit estimado em 4,78 milhões de toneladas na safra 2025/26 para um déficit de aproximadamente 800 mil toneladas em 2026/27. Caso esse cenário se confirme, a tendência é de manutenção dos preços em níveis elevados ao longo dos próximos meses.
No Brasil, as expectativas apontam para uma produção de cerca de 40 milhões de toneladas de açúcar no Centro-Sul na próxima safra, volume ligeiramente inferior ao registrado no ciclo anterior. Apesar da previsão de maior moagem de cana, uma parcela menor da matéria-prima deverá ser destinada à fabricação de açúcar, refletindo a maior atratividade da produção de etanol.
Diante desse conjunto de fatores, o mercado segue atento às condições climáticas, ao avanço das safras nos principais países produtores e às novas revisões das estimativas globais. A combinação entre oferta mais restrita e incertezas climáticas deverá continuar sendo o principal suporte para os preços internacionais do açúcar nos próximos meses.
