Açúcar recua nas bolsas internacionais pressionado pelo dólar e petróleo

Valorização do dólar e queda do petróleo derrubam os preços do açúcar no mercado internacional, enquanto preocupações com o clima na Índia e os efeitos do El Niño seguem no radar dos investidores.

João Victor Almeida - Imagem: Schutterstock

6/19/20262 min read

Os preços do açúcar registraram forte queda nas bolsas internacionais nesta semana, refletindo principalmente a valorização do dólar e a desvalorização do petróleo. Esses dois fatores aumentaram a pressão sobre as cotações e contribuíram para um cenário mais negativo para a commodity no mercado global.

Em Nova York, os contratos futuros do açúcar encerraram o pregão em baixa, enquanto em Londres o açúcar branco também apresentou recuo expressivo. O principal motivo foi o fortalecimento do dólar frente às demais moedas. Quando a moeda norte-americana sobe, os produtos negociados em dólar tendem a perder competitividade no mercado internacional, reduzindo o interesse dos compradores e pressionando os preços.

Outro fator que influenciou diretamente o mercado foi a queda do petróleo. Com os combustíveis mais baratos, o etanol perde parte de sua competitividade econômica. Isso pode levar as usinas a direcionarem uma parcela maior da cana-de-açúcar para a produção de açúcar, aumentando a oferta disponível no mercado mundial e contribuindo para a queda das cotações.

Apesar do cenário baixista de curto prazo, os investidores seguem atentos às condições climáticas nos principais países produtores. Na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar, o volume de chuvas está significativamente abaixo da média histórica. A falta de precipitações durante o período de desenvolvimento das lavouras gera preocupação sobre o potencial produtivo da próxima safra.

Além disso, a confirmação da formação do fenômeno El Niño aumentou a atenção do mercado. Historicamente, o fenômeno pode provocar alterações importantes nos regimes de chuva em grandes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia. Dependendo da intensidade, o El Niño pode reduzir a produtividade dos canaviais e limitar a oferta global de açúcar nos próximos meses.

Dessa forma, embora os preços estejam pressionados atualmente pelo dólar forte e pelo petróleo em baixa, o mercado continua acompanhando de perto os riscos climáticos. Caso os problemas de chuva persistam em importantes regiões produtoras, a oferta mundial poderá ser afetada, criando suporte para uma recuperação das cotações ao longo da safra 2026/27.

Para os produtores, o momento exige atenção não apenas aos preços internacionais, mas também aos fatores climáticos e ao comportamento do mercado de energia, que continuam sendo determinantes para a formação dos preços do açúcar no cenário global.

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