Açúcar sobe forte com temor sobre oferta
Déficit de chuvas na Índia e menor produção no Brasil elevam preocupações com a oferta global e impulsionam as cotações.
João Victor Almeida - Imagem: Schutterstock
6/30/20262 min read


O mercado internacional do açúcar encerrou a segunda-feira em forte alta, registrando o terceiro pregão consecutivo de valorização. As cotações foram impulsionadas principalmente pelas preocupações com a oferta global, diante do déficit de chuvas na Índia e da redução na produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil. O cenário elevou o açúcar bruto em Nova York ao maior nível das últimas semanas, enquanto o açúcar branco negociado em Londres atingiu a maior cotação em aproximadamente nove meses.
A principal preocupação do mercado está na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar. O país enfrenta um período de monções abaixo da média histórica, situação que pode comprometer o desenvolvimento da cana-de-açúcar. As chuvas entre junho e setembro são fundamentais para garantir boa produtividade das lavouras, e a persistência do clima seco aumenta o risco de redução da produção na próxima safra, diminuindo a oferta disponível para o mercado internacional.
No Brasil, outro importante fator de sustentação dos preços é o desempenho da safra 2026/27 no Centro-Sul. Dados recentes mostram que a produção de açúcar segue abaixo do volume registrado no mesmo período do ciclo anterior. Além disso, as usinas estão destinando uma parcela maior da cana para a fabricação de etanol, reduzindo a quantidade de matéria-prima utilizada na produção de açúcar. Essa mudança ocorre porque o etanol apresenta maior atratividade econômica para parte das indústrias, contribuindo para limitar a oferta da commodity.
As expectativas para o mercado também foram reforçadas após a consultoria Czarnikow revisar sua projeção para o balanço mundial de açúcar. A estimativa, que anteriormente apontava superávit global, passou a indicar um pequeno déficit na safra 2026/27. Essa mudança fortaleceu o sentimento de preocupação entre investidores e operadores, que passaram a precificar um cenário de oferta mais apertada nos próximos meses.
Apesar da valorização recente, o mercado continua atento ao cenário geopolítico internacional. A reabertura do Estreito de Ormuz tende a reduzir os custos de transporte marítimo, seguros e combustíveis, fator que pode aliviar parte da pressão sobre os preços das commodities. Ainda assim, no curto prazo, as atenções permanecem concentradas nas condições climáticas da Índia, no ritmo da produção brasileira e nas decisões das usinas sobre a destinação da cana entre açúcar e etanol, fatores que devem continuar influenciando o comportamento das cotações nas próximas semanas.
