Agro reage a veto de Lula e cobra manutenção do Bolsa Família para trabalhadores safristas
Setor produtivo defende que trabalhadores contratados temporariamente durante as safras possam manter benefícios sociais, enquanto governo argumenta que medida poderia comprometer critérios dos programas de transferência de renda.
João Victor Almeida - Imagem: Forbes
6/14/20262 min read


O veto integral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Projeto de Lei 715/2023, conhecido como Lei dos Safristas, gerou forte reação entre representantes do agronegócio e parlamentares ligados ao setor produtivo. A proposta tinha como objetivo permitir que trabalhadores rurais contratados temporariamente para atividades sazonais continuassem recebendo benefícios sociais, como o Bolsa Família, sem que a remuneração obtida durante o período de trabalho fosse considerada no cálculo da renda familiar.
A decisão foi publicada no Diário Oficial da União nesta quinta-feira (11) e interrompe uma iniciativa que já havia sido aprovada tanto pela Câmara dos Deputados quanto pelo Senado Federal. O projeto buscava criar mecanismos para incentivar a formalização da mão de obra temporária no campo, ao mesmo tempo em que garantia proteção social para famílias de baixa renda.
Pela proposta, os valores recebidos por meio dos contratos de safra não seriam contabilizados para fins de manutenção dos programas sociais. Além disso, o texto previa que, após o encerramento do contrato temporário, as famílias voltariam automaticamente a receber os benefícios, desde que continuassem atendendo aos critérios de elegibilidade estabelecidos pelo governo.
A discussão ocorre em um momento em que produtores rurais de diversas regiões do país relatam dificuldades crescentes para contratar trabalhadores temporários, principalmente em períodos de plantio, manejo e colheita. A falta de mão de obra tem sido apontada como um dos principais desafios enfrentados pelo setor, especialmente em culturas que demandam grande volume de trabalho manual.
Entidades do agronegócio argumentam que muitos trabalhadores deixam de aceitar vagas temporárias por receio de perder o acesso aos programas sociais. Segundo representantes do setor, essa situação acaba reduzindo a oferta de mão de obra disponível justamente nos períodos de maior necessidade das propriedades rurais.
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) também manifestou preocupação com o veto, afirmando que a proposta poderia contribuir para ampliar a formalização dos contratos temporários e fortalecer a atividade econômica nas regiões produtoras. Para o setor, o projeto buscava criar um equilíbrio entre a geração de emprego no campo e a manutenção da proteção social às famílias mais vulneráveis.
Por outro lado, o governo federal entende que a medida poderia gerar distorções nos critérios de concessão dos programas assistenciais, comprometendo a avaliação da renda familiar utilizada para definir quem tem direito aos benefícios. Esse foi um dos principais argumentos apresentados para justificar o veto integral ao projeto.
O tema deve continuar em debate no Congresso Nacional, onde parlamentares ligados ao agronegócio já sinalizam a possibilidade de articulações para derrubar o veto presidencial. Enquanto isso, produtores rurais seguem cobrando alternativas que ajudem a enfrentar a escassez de trabalhadores temporários, problema que vem impactando diversas cadeias produtivas em todo o país.
A discussão evidencia um dos grandes desafios do setor agropecuário brasileiro: conciliar a geração de empregos formais no campo com políticas públicas de assistência social, garantindo segurança tanto para trabalhadores quanto para produtores rurais.
