Arroz perde força e preços voltam a cair no mercado brasileiro
Ampla oferta do cereal e dificuldades na comercialização do arroz beneficiado mantêm pressão sobre as cotações no Rio Grande do Sul.
João Victor Almeida - Imagem: Schutterstock
6/17/20262 min read


Os preços do arroz em casca voltaram a registrar queda no Rio Grande do Sul, principal estado produtor do país. Após uma breve recuperação observada no início do mês, o mercado voltou a sentir a pressão provocada pelo elevado volume de oferta disponível e pelas dificuldades enfrentadas na comercialização do arroz beneficiado.
De acordo com levantamentos do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), a grande disponibilidade do cereal continua sendo o principal fator de pressão sobre as cotações. Com uma oferta abundante no mercado, compradores têm adotado uma postura mais cautelosa, reduzindo o ritmo das negociações e limitando avanços nos preços.
Outro fator que contribui para esse cenário é a dificuldade encontrada pelas indústrias para comercializar o arroz beneficiado. Com vendas mais lentas no varejo e margens apertadas, muitas empresas têm reduzido suas compras de matéria-prima, diminuindo a demanda pelo arroz em casca e aumentando a pressão sobre os produtores.
Embora a demanda internacional continue ativa e represente uma alternativa importante para parte dos produtores, seu impacto sobre os preços internos tem sido limitado. As exportações ajudam a movimentar o mercado, mas não têm sido suficientes para absorver toda a oferta disponível ou provocar uma valorização mais consistente das cotações.
Além disso, os mecanismos de apoio à comercialização promovidos pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que anteriormente contribuíram para sustentar os preços, tiveram influência menor nas últimas semanas, reduzindo um dos fatores de suporte ao mercado.
Para os produtores rurais, o cenário exige atenção redobrada às estratégias de comercialização. Com os preços pressionados e a oferta elevada, muitos optam por acompanhar mais de perto as oportunidades de venda, especialmente aquelas ligadas ao mercado externo, na tentativa de melhorar a rentabilidade da safra.
Apesar do momento de baixa, o mercado segue atento ao comportamento da demanda interna e internacional nos próximos meses. Qualquer alteração no ritmo das exportações, no consumo doméstico ou na disponibilidade de estoques poderá influenciar o rumo das cotações.
Enquanto isso, o setor arrozeiro continua enfrentando o desafio de equilibrar a grande oferta disponível com a necessidade de melhorar a liquidez do mercado, fator fundamental para uma recuperação mais consistente dos preços ao produtor.
