Boi gordo perde força com cota da China
Frigoríficos reduzem o ritmo de compras diante da proximidade do limite de exportação para o mercado chinês.
João Victor Almeida - Schutterstock
6/30/20262 min read


O mercado do boi gordo atravessa um período de maior pressão sobre os preços em razão da proximidade do cumprimento da cota brasileira de exportação de carne bovina para a China. A expectativa do setor é que o Brasil alcance o limite permitido ainda no mês de agosto, levando os frigoríficos habilitados para o mercado chinês a adotarem uma postura mais cautelosa na compra de animais para abate.
A China segue como o principal destino da carne bovina brasileira e trabalha com um sistema de cotas para controlar o volume de importações. Atualmente, o Brasil possui uma cota anual de 1,1 milhão de toneladas. As exportações realizadas dentro desse limite pagam uma tarifa de 12%, enquanto os embarques que ultrapassam esse volume passam a ser tributados em 55%, reduzindo significativamente a competitividade da carne brasileira.
Diante desse cenário, muitas indústrias exportadoras já diminuíram o ritmo das negociações no mercado físico, pressionando as cotações da arroba. Com menor interesse na compra de animais destinados à exportação, parte da oferta permanece no mercado interno, contribuindo para um ambiente de preços mais enfraquecidos.
A política chinesa faz parte de uma estratégia para fortalecer a produção pecuária local e reduzir a dependência das importações de carne bovina. Mesmo permanecendo como o maior comprador mundial, o país busca equilibrar o abastecimento interno com incentivos aos seus próprios produtores.
Apesar da pressão atual, o mercado continua atento aos próximos movimentos da demanda internacional. Caso a China mantenha um ritmo elevado de compras ou adote medidas para ampliar sua necessidade de importação, o cenário poderá voltar a favorecer as exportações brasileiras. Além disso, fatores como oferta de animais terminados, consumo interno, câmbio e abertura de novos mercados continuarão influenciando a formação dos preços da arroba nos próximos meses.
Enquanto isso, produtores e agentes do setor acompanham de perto o comportamento dos frigoríficos e a evolução das exportações, já que qualquer alteração no fluxo comercial pode provocar mudanças importantes no mercado do boi gordo.
