Brasil registra média de quatro golpes por minuto e bate novo recorde de estelionatos

Anuário da Segurança Pública aponta mais de 2,2 milhões de casos em 2025, com avanço das fraudes digitais e atuação crescente do crime organizado.

João Victor Almeida - Imagem: Schutterstock

7/23/20262 min read

O Brasil registrou um novo recorde de estelionatos em 2025, consolidando o avanço das fraudes como uma das principais modalidades criminosas do país. Segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, foram contabilizadas 2.261.055 ocorrências, o equivalente a uma média de 258 golpes por hora, ou cerca de quatro golpes por minuto. O volume representa um crescimento de 2,7% em relação a 2024 e um aumento expressivo de 429,8% desde 2018, evidenciando a rápida expansão desse tipo de crime.

Grande parte desse crescimento está relacionada ao avanço das fraudes digitais. Somente em 2025, foram registrados mais de 346 mil golpes virtuais, alta de 20,6% em comparação ao ano anterior. O levantamento aponta que criminosos têm explorado cada vez mais o uso de aplicativos de mensagens, redes sociais, plataformas de compra e venda, links falsos, inteligência artificial e sistemas bancários digitais para enganar as vítimas e obter vantagens financeiras.

Entre os golpes mais frequentes estão a clonagem e troca de cartões bancários, o golpe do WhatsApp, falsas centrais de atendimento bancário, links de phishing, boletos falsificados, perfis clonados em redes sociais, falsos investimentos, fraudes em compras online e esquemas envolvendo o PIX. Em muitos casos, os criminosos utilizam engenharia social para conquistar a confiança das vítimas antes de solicitar transferências ou obter dados pessoais e bancários.

De acordo com os pesquisadores do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a expansão dos estelionatos acompanha as mudanças no comportamento da população, que utiliza cada vez mais serviços bancários digitais e realiza pagamentos eletrônicos no dia a dia. Esse processo aumentou a exposição dos consumidores às fraudes virtuais e abriu espaço para que organizações criminosas especializadas passassem a atuar em larga escala. O estudo destaca que diversas facções já estruturaram verdadeiros "escritórios do crime", com equipes dedicadas exclusivamente à aplicação de golpes pela internet.

Enquanto os estelionatos avançaram, outros crimes patrimoniais apresentaram queda. Os registros de roubos diminuíram 18,3%, passando de 745.193 para 610.959 casos. Segundo o anuário, essa mudança demonstra uma adaptação das organizações criminosas, que passaram a investir em crimes de menor risco e maior potencial de lucro, utilizando tecnologia para alcançar um número muito maior de vítimas sem a necessidade de contato presencial.

O levantamento também mostra diferenças entre os estados brasileiros. São Paulo lidera o ranking nacional, com 1.808 casos de estelionato por 100 mil habitantes, seguido por Distrito Federal, Paraná, Rondônia, Santa Catarina e Espírito Santo. Segundo os pesquisadores, estados com maior grau de urbanização, bancarização e digitalização tendem a registrar mais ocorrências, já que concentram maior número de transações eletrônicas e usuários de serviços financeiros.

Especialistas reforçam que a prevenção continua sendo uma das principais ferramentas no combate às fraudes. Entre as orientações estão desconfiar de mensagens com pedidos urgentes de dinheiro, confirmar informações diretamente com bancos e familiares, evitar clicar em links desconhecidos, ativar autenticação em dois fatores, proteger dados pessoais e acompanhar regularmente as movimentações das contas bancárias. Com a evolução das tecnologias e das estratégias utilizadas pelos criminosos, a atenção dos usuários tornou-se fundamental para reduzir os riscos de prejuízos financeiros.

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