Cacau dispara nas bolsas internacionais com temor de super El Niño

Preços do cacau atingem os maiores níveis em quase seis semanas após investidores aumentarem a preocupação com os possíveis impactos climáticos sobre a safra mundial nos próximos anos.

João Victor Almeida - Imagem: Maxi Popular

6/23/20262 min read

Os preços do cacau registraram forte valorização nas bolsas internacionais e alcançaram os maiores níveis das últimas seis semanas. O principal motivo para essa alta é a crescente preocupação do mercado com a possibilidade de formação de um super El Niño, fenômeno climático que pode provocar alterações significativas no regime de chuvas e temperaturas em importantes regiões produtoras ao redor do mundo.

Na Bolsa de Londres, os contratos futuros do cacau encerraram o pregão com alta de 5,5%, atingindo £3.475 por tonelada. Já em Nova York, os preços avançaram mais de 9%, fechando em US$ 4.621 por tonelada. O movimento amplia os ganhos observados na semana anterior, quando o mercado já havia acumulado valorização próxima de 15%.

As atenções dos investidores estão voltadas para as projeções climáticas divulgadas por órgãos internacionais. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) estima uma probabilidade de 63% de formação de um El Niño muito forte, conhecido como super El Niño, com potencial para influenciar o clima global nos próximos meses e até 2027.

Para o mercado do cacau, a preocupação é ainda maior porque as principais regiões produtoras do mundo já enfrentam desafios climáticos. Na Costa do Marfim, maior produtora mundial da commodity, produtores relatam que as chuvas acima da média e o excesso de nebulosidade vêm aumentando os riscos de doenças fúngicas e problemas de desenvolvimento das lavouras. Caso essas condições persistam, a produtividade pode ser comprometida, afetando a oferta global do produto.

Apesar dessas preocupações, alguns indicadores ainda mostram desempenho positivo da produção atual. Dados de exportadores apontam que as chegadas de cacau nos portos da Costa do Marfim acumulam crescimento de 18% nesta temporada em comparação ao mesmo período do ano passado. Mesmo assim, o mercado segue focado no potencial impacto do clima sobre a safra 2026/27.

Historicamente, episódios intensos de El Niño costumam trazer prejuízos para a produção de cacau em diversas regiões produtoras da África Ocidental, responsável por grande parte da oferta mundial. Alterações no volume de chuvas, excesso de calor e aumento da incidência de doenças nas plantações podem reduzir significativamente a produtividade das lavouras e pressionar os estoques globais.

Diante desse cenário, os investidores seguem monitorando de perto as condições climáticas e as perspectivas para a próxima safra. A combinação entre incertezas sobre a produção futura e a possibilidade de um super El Niño continua sustentando a valorização do cacau nas bolsas internacionais. Caso as previsões climáticas se confirmem, o mercado poderá permanecer bastante volátil nos próximos meses, com reflexos diretos sobre os preços da commodity em todo o mundo.

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