Café arábica recua em Nova York após sequência de altas, enquanto robusta mantém valorização

Realização de lucros antes do feriado nos Estados Unidos pressionou o arábica, mas atraso da colheita brasileira segue sustentando o mercado.

João Victor Almeida - Imagem: Shutterstock

7/3/20262 min read

Os preços do café encerraram a quinta-feira (2) com comportamento misto nas principais bolsas internacionais. Após uma sequência de fortes valorizações nas últimas semanas, os contratos do café arábica registraram queda na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), influenciados por um movimento de realização de lucros por parte dos investidores antes do feriado da Independência dos Estados Unidos. Já o café robusta conseguiu encerrar o dia em alta na Bolsa de Londres (ICE Europe), mantendo o suporte oferecido pelos fundamentos do mercado.

No fechamento da sessão, o contrato setembro/2026 do café arábica foi negociado a 301,20 cents de dólar por libra-peso, com recuo de 870 pontos. O vencimento dezembro/2026 também caiu, encerrando cotado a 286,30 cents/lbp. Em Londres, o contrato setembro/2026 do robusta fechou em US$ 3.783 por tonelada, enquanto o novembro/2026 terminou o dia a US$ 3.745 por tonelada, ambos registrando leves ganhos.

Segundo analistas, a queda do arábica foi motivada principalmente pelo ajuste técnico dos investidores, que preferiram reduzir posições compradas antes do fechamento das bolsas norte-americanas nesta sexta-feira (3). Apesar desse movimento, os fatores que sustentam os preços continuam presentes, principalmente as preocupações com a oferta brasileira.

As chuvas acima da média seguem atrasando a colheita nas principais regiões produtoras de café arábica do Brasil. Em Minas Gerais, maior estado produtor do país, o excesso de umidade tem dificultado os trabalhos no campo, reduzido o ritmo da colheita e aumentado o risco de perdas na qualidade dos grãos, já que a secagem também fica comprometida.

Além da safra atual, o mercado também acompanha as perspectivas climáticas para a próxima temporada. Especialistas seguem monitorando a possibilidade de formação de um novo episódio de El Niño, que poderá alterar o regime de chuvas durante o período de florada, etapa considerada fundamental para o potencial produtivo da safra 2027.

No mercado interno, a comercialização permanece em ritmo lento. Muitos produtores estão priorizando o avanço da colheita antes de intensificar as vendas, o que reduz a oferta imediata e contribui para manter o mercado sustentado. Esse atraso também pode influenciar o ritmo das exportações brasileiras nas próximas semanas.

Outro fator positivo para o setor veio do mercado de cafés especiais. A Brazil Specialty Coffee Association (BSCA) informou que a participação brasileira na feira World of Coffee Geneva 2026, realizada na Suíça, poderá gerar aproximadamente US$ 252 milhões em negócios ao longo dos próximos 12 meses. O resultado reforça a crescente valorização do café especial brasileiro no mercado internacional e fortalece a posição do Brasil como um dos principais fornecedores mundiais de cafés de alta qualidade.

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