Café avança nas bolsas com oferta apertada e estoques em queda

Arábica atinge maior nível em seis semanas com estoques reduzidos, atraso na colheita brasileira e problemas logísticos na Colômbia.

João Victor Almeida - Imagem: Schutterstock

8/18/20262 min read

Os preços internacionais do café encerraram a segunda-feira (17) novamente em alta, com avanços tanto na Bolsa de Nova York quanto em Londres. O movimento foi sustentado principalmente pelas preocupações com a disponibilidade da commodity no curto prazo, além da redução dos estoques certificados e das incertezas envolvendo Brasil e Colômbia.

Em Nova York, os ganhos foram mais expressivos nos contratos próximos. O vencimento setembro do café arábica avançou 700 pontos, encerrando a 345,10 cents de dólar por libra-peso, enquanto dezembro ganhou 360 pontos, fechando a 317,90 cents/lb. Durante a sessão, o arábica chegou ao maior patamar em aproximadamente seis semanas.

No Brasil, o mercado continua acompanhando o ritmo da colheita. Apesar da evolução dos trabalhos, algumas regiões ainda apresentam atraso em relação ao esperado, contribuindo para limitar a disponibilidade imediata da nova safra. No Cerrado Mineiro, dados da Expocacer apontaram que a colheita do arábica chegou a 81% até 14 de agosto.

As condições climáticas, entretanto, estão mais favoráveis aos trabalhos de campo. Na região de Patrocínio, em Minas Gerais, predomina o tempo seco, com volumes praticamente inexistentes de chuva. A previsão indicava continuidade desse padrão até 20 de agosto, cenário que favorece o avanço da colheita e da secagem dos grãos e, consequentemente, pode aumentar gradualmente a disponibilidade de café.

Outro ponto importante para a valorização foi a forte redução dos estoques certificados de arábica da ICE. O volume caiu para 231.340 sacas na segunda-feira, atingindo o menor nível em aproximadamente dois anos e nove meses. Estoques menores aumentam a preocupação dos compradores com a quantidade de café disponível para entrega e ajudam a sustentar os contratos futuros.

No robusta, porém, a situação é diferente. Os estoques certificados chegaram a 4.537 lotes, maior volume dos últimos cinco meses. Mesmo assim, Londres acompanhou o movimento positivo das commodities e terminou a sessão com avanços entre US$ 49 e US$ 52 por tonelada nos principais contratos. Novembro fechou a US$ 3.644 por tonelada, enquanto março terminou a US$ 3.603.

A Colômbia também permanece no radar do mercado internacional após o terremoto da semana passada. Regiões atingidas representam parcela relevante da produção cafeeira do país, e os principais problemas estão concentrados na logística de escoamento. As exportações pelo porto de Buenaventura foram parcialmente retomadas, mas continuam ocorrendo de maneira limitada e irregular.

Embora não tenham sido registrados danos expressivos às principais estruturas de processamento e beneficiamento, a recuperação completa das rotas utilizadas para transportar o café colombiano pode levar semanas. Uma interrupção prolongada pode restringir temporariamente a oferta de arábica lavado no mercado internacional.

Além dos fundamentos específicos do café, a segunda-feira também foi marcada por uma valorização generalizada das commodities agrícolas, acompanhando uma alta próxima de 3% do petróleo. Esse ambiente externo ajudou a ampliar o movimento positivo observado nas bolsas.

Para os próximos pregões, o mercado deverá continuar atento principalmente ao ritmo da colheita brasileira, aos estoques certificados da ICE, à normalização das exportações colombianas e às condições climáticas nas regiões produtoras. Enquanto a disponibilidade de curto prazo permanecer apertada, esses fatores podem continuar oferecendo sustentação aos preços, embora a melhora da colheita brasileira possa limitar movimentos mais fortes de valorização.

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