Café fecha em alta com preocupação sobre impacto do El Niño na próxima safra brasileira
Mercado reage ao risco de atraso nas chuvas durante a florada do café, enquanto investidores ajustam posições nas bolsas internacionais.
João Victor Almeida - Imagem: Shutterstock
5/22/20262 min read


Os preços do café encerraram esta quinta-feira (21) em alta nas bolsas internacionais, impulsionados pelas preocupações envolvendo o possível retorno do fenômeno El Niño e seus impactos sobre a próxima safra brasileira.
O movimento elevou os contratos futuros tanto em Nova York quanto em Londres, estimulando a cobertura de posições vendidas após um período recente de pressão nas cotações do mercado cafeeiro.
Segundo análises do setor, a principal preocupação está relacionada ao risco de atraso das chuvas no Brasil entre os meses de setembro e outubro, período considerado fundamental para a florada das lavouras de café. Caso o clima seco persista nesse momento, o desenvolvimento da safra 2026/27 pode ser comprometido.
O alerta ganhou força após relatório divulgado pela Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), que aumentou para 82% a probabilidade de formação do El Niño entre maio e julho deste ano.
Na Bolsa de Nova York, os contratos do café arábica registraram altas superiores a 1%. O vencimento julho/26 encerrou cotado a 273,40 cents por libra-peso, enquanto os demais contratos também apresentaram valorização ao longo da sessão.
Em Londres, o café robusta acompanhou o movimento positivo. O contrato julho/26 fechou cotado a US$ 3.399 por tonelada, refletindo a preocupação do mercado com possíveis impactos climáticos sobre a oferta global da commodity.
Apesar da recuperação nas bolsas, o mercado continua monitorando projeções que indicam uma safra robusta no Brasil para o próximo ciclo. Relatórios recentes da Conab e de instituições privadas apontam possibilidade de produção elevada, impulsionada principalmente pela recuperação das lavouras e pelo bom desenvolvimento do café robusta.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) elevou recentemente sua estimativa para a safra brasileira de café em 2026, projetando produção de 66,7 milhões de sacas de 60 kg. Já o Rabobank estima crescimento expressivo na produção de café arábica no próximo ciclo.
Mesmo assim, representantes do setor produtivo avaliam que ainda é cedo para confirmar recordes absolutos de produção, principalmente diante das incertezas climáticas que continuam influenciando o mercado global do café.
O cenário mantém produtores, exportadores e investidores atentos às próximas atualizações climáticas e ao comportamento das lavouras brasileiras nos próximos meses, fatores que seguem sendo decisivos para a formação dos preços internacionais da commodity.
