Café inicia semana em compasso de espera após forte volatilidade nas bolsas

Mercado acompanha colheita no Brasil, qualidade da safra e riscos climáticos que podem influenciar os preços.

João Victor Almeida - Imagem: Schutterstock

7/13/20262 min read

O mercado internacional do café começou a semana em ritmo mais cauteloso, após dias de intensa volatilidade nas bolsas de Nova York e Londres. As cotações abriram a segunda-feira com leves quedas, refletindo um momento de espera dos investidores, que acompanham de perto o avanço da colheita brasileira, a qualidade dos grãos e as condições climáticas que podem impactar a oferta mundial nos próximos meses.

Apesar da leve desvalorização observada no início da semana, especialistas destacam que os fundamentos do mercado continuam dando sustentação aos preços. Segundo análises da Safras & Mercado, a forte oscilação registrada recentemente foi influenciada tanto por fatores financeiros, como vencimento de contratos, realocação de posições por fundos de investimento e ajustes técnicos, quanto por fatores ligados à oferta física de café.

No Brasil, o ritmo da colheita segue mais lento do que o esperado devido às chuvas registradas em importantes regiões produtoras. O excesso de umidade dificultou os trabalhos no campo, atrasou a secagem e o beneficiamento dos grãos e aumentou as preocupações com a qualidade do café arábica. Além disso, revisões nas estimativas de produção do café conilon no Espírito Santo também reforçaram a percepção de uma oferta mais limitada, contribuindo para sustentar as cotações internacionais.

Outro fator que permanece no radar do mercado é a possibilidade de um episódio mais intenso de El Niño nos próximos meses. Caso o fenômeno climático se confirme, ele poderá alterar o regime de chuvas em importantes regiões produtoras, afetando o desenvolvimento das próximas safras no Brasil, além de países como Vietnã e Indonésia, grandes produtores de café robusta. Em um cenário de estoques globais ainda reduzidos, qualquer ameaça ao potencial produtivo tende a aumentar a sensibilidade do mercado às informações climáticas.

No mercado físico brasileiro, a comercialização continua acontecendo de forma moderada. Muitos produtores optam por segurar novas vendas quando os preços recuam, enquanto compradores diminuem o ritmo das negociações durante os momentos de alta nas bolsas, aguardando definições sobre o comportamento da safra. Esse cenário mantém a liquidez limitada e reforça a expectativa de que a volatilidade continue presente nas próximas semanas, à medida que novas informações sobre a colheita, o clima e a oferta mundial forem divulgadas.

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