Café solúvel brasileiro enfrenta risco de tarifa nos EUA e setor busca revisão da medida
Enquanto cafés em grão, torrado e moído ficaram fora das novas tarifas dos Estados Unidos, o café solúvel brasileiro foi excluído da lista de isenções. O setor considera a decisão incoerente e trabalha para reverter a medida.
João Victor Almeida - Imagem: Schutterstock
6/18/20262 min read


A indústria brasileira de café solúvel está mobilizada para tentar reverter a decisão do governo dos Estados Unidos que manteve o produto fora da lista de isenção das novas tarifas de importação. A preocupação do setor é que a medida eleve significativamente os custos do produto brasileiro no mercado norte-americano, um dos principais destinos das exportações nacionais.
Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), o café solúvel foi o único segmento da cadeia cafeeira brasileira que não recebeu tratamento semelhante ao café verde, torrado e moído, que ficaram livres da nova cobrança. Caso a decisão seja mantida, o produto poderá enfrentar uma taxação total de até 37,5%, reduzindo sua competitividade frente a outros fornecedores internacionais.
Representantes do setor acreditam que a exclusão pode ter ocorrido por uma questão técnica ou de classificação comercial e, por isso, participarão de uma audiência nos Estados Unidos no início de julho para apresentar argumentos e solicitar a revisão da medida. Além da participação presencial, a entidade também encaminhará um documento formal destacando a importância do café solúvel brasileiro para o abastecimento do mercado americano.
Os dados do setor mostram que os Estados Unidos possuem baixa capacidade de produção interna de café solúvel, atendendo apenas uma pequena parcela do consumo doméstico. Dessa forma, a maior parte da demanda depende de importações, sendo o Brasil um dos principais fornecedores. Na avaliação da indústria, a aplicação da tarifa poderá aumentar os custos para empresas e consumidores norte-americanos, além de prejudicar uma cadeia comercial consolidada ao longo dos anos.
Para o agronegócio brasileiro, o tema é acompanhado com atenção, já que o café é um dos principais produtos da pauta exportadora nacional. Embora a medida atinja especificamente o café solúvel, uma eventual redução da demanda internacional pode gerar reflexos em diferentes elos da cadeia produtiva, desde a indústria até os produtores de café.
O setor permanece otimista quanto à possibilidade de revisão da decisão e aposta no diálogo comercial para demonstrar que a manutenção das tarifas não traz benefícios ao mercado americano e pode gerar impactos negativos para consumidores, importadores e para o próprio abastecimento do produto nos Estados Unidos.
