Calor extremo e incêndios voltam a ameaçar produção de azeite na Europa

Após período de queda nos preços, seca, ondas de calor e queimadas reacendem preocupações sobre a oferta e podem pressionar o mercado mundial.

João Victor Almeida - Foto: Divulgação

8/5/20262 min read

Depois de um período de alívio nos preços, o mercado internacional do azeite de oliva volta a enfrentar um cenário de incertezas. O avanço do calor extremo, da seca prolongada e dos incêndios florestais em importantes regiões produtoras da Europa tem elevado a preocupação com a safra 2025/26 e reacendido o risco de novos aumentos nos preços da commodity.

Os impactos climáticos atingem especialmente Espanha, Grécia, Itália e Portugal, países que concentram grande parte da produção mundial de azeite. As altas temperaturas, a escassez de chuvas e os incêndios vêm reduzindo a produtividade dos olivais, comprometendo a qualidade das azeitonas e elevando os custos de produção, fatores que podem ser repassados ao consumidor nos próximos meses.

A Comissão Europeia havia registrado uma redução nos preços do azeite desde abril, impulsionada principalmente pelo aumento da produção italiana. No entanto, revisou sua estimativa para a safra do bloco, prevendo uma queda de 5% na produção de azeite em 2025/26. A principal contribuição para esse recuo vem da Grécia, onde a produção deverá encolher cerca de 18%, reflexo das condições climáticas adversas.

Na Espanha, maior produtora mundial de azeite, os incêndios que se intensificaram a partir de julho atingiram milhares de hectares de áreas agrícolas, incluindo olivais, vinhedos, pomares e hortaliças. Além dos danos causados pelo fogo, o país enfrenta restrições hídricas que reduzem a umidade do solo e aumentam o risco de queda prematura das azeitonas, comprometendo ainda mais a produtividade.

Na Grécia, produtores relatam perdas significativas provocadas pelas queimadas, que destruíram oliveiras poucos meses antes da colheita. Além da ação direta do fogo, o calor intenso e a fumaça têm favorecido o surgimento de pragas e doenças, reduzindo o tamanho dos frutos e afetando a qualidade do azeite produzido. Situação semelhante também é observada em áreas produtoras da Itália e de Portugal, onde incêndios e temperaturas extremas aumentam a vulnerabilidade dos olivais.

Especialistas alertam que a sucessão de eventos climáticos extremos reforça os desafios enfrentados pela agricultura mediterrânea. Estudos indicam que o número de dias com condições favoráveis à propagação de incêndios — combinação de calor intenso, seca e ventos fortes — dobrou desde 1981, tornando as culturas típicas da região cada vez mais expostas aos efeitos das mudanças climáticas.

Além dos impactos sobre a produção agrícola, a onda de calor que atinge a Europa também provocou consequências sociais significativas. Temperaturas recordes foram associadas a mais de 1.300 mortes em apenas uma semana no fim de junho, além de interrupções em serviços públicos, danos à infraestrutura e cancelamentos de eventos em diversas cidades.

Com esse cenário, o mercado internacional acompanha de perto a evolução das condições climáticas nas próximas semanas. Caso a seca e os incêndios persistam, a oferta global de azeite poderá ser reduzida, pressionando novamente os preços e dificultando a consolidação da recuperação observada nos últimos meses. A expectativa do setor é de que o comportamento do clima continue sendo o principal fator para definir o desempenho da próxima safra e o equilíbrio entre oferta e demanda no mercado mundial.

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