Calor intenso nos EUA faz soja disparar quase 3% em Chicago
Onda de calor no Corn Belt aumenta preocupação com a safra e impulsiona os preços da soja, milho e trigo.
João Victor Almeida - Imagem: Schutterstock
7/6/20262 min read


O mercado internacional de grãos iniciou a semana em forte alta, com destaque para a soja na Bolsa de Chicago, que chegou a subir quase 3% nesta segunda-feira (6), após o feriado da Independência dos Estados Unidos. O movimento também impulsionou as cotações do milho, do trigo e dos derivados da soja, refletindo a crescente preocupação dos investidores com as condições climáticas nas principais regiões produtoras norte-americanas.
O principal fator por trás da valorização é a intensa onda de calor que atinge o Corn Belt, região responsável por grande parte da produção agrícola dos Estados Unidos. Nos últimos dias, diversas áreas registraram índices de calor superiores a 40°C, aumentando o risco de estresse nas lavouras justamente em uma fase decisiva do desenvolvimento das culturas.
Embora as chuvas registradas durante o mês de junho tenham garantido bons níveis de umidade no solo, especialistas alertam que temperaturas muito elevadas, principalmente quando acompanhadas por noites quentes, aceleram a perda de umidade e aumentam o consumo de água pelas plantas. Caso esse cenário persista, o potencial produtivo da safra poderá ser reduzido.
No milho, a preocupação está concentrada na fase de polinização, considerada uma das etapas mais importantes para a formação dos grãos. Já na soja, o mercado acompanha de perto o desenvolvimento da floração e do enchimento das vagens, fases que também são bastante sensíveis ao excesso de calor e à falta de chuvas.
Os contratos futuros refletiram esse cenário de preocupação. A soja registrou ganhos entre 28 e 35 pontos, com o contrato de novembro, o mais negociado, sendo cotado próximo de US$ 11,82 por bushel. O milho também apresentou altas superiores a 13 pontos, enquanto o trigo avançou mais de 10 pontos. Entre os derivados, o óleo de soja subiu cerca de 2% e o farelo registrou valorização semelhante.
Após a divulgação do relatório de área plantada do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o clima voltou a ser o principal fator de influência sobre o mercado. Agora, investidores e operadores acompanham diariamente as previsões meteorológicas para avaliar os possíveis impactos sobre a produtividade da safra norte-americana.
As projeções dos serviços meteorológicos continuam indicando temperaturas acima da média para grande parte do Meio-Oeste dos Estados Unidos, enquanto as chuvas devem permanecer abaixo do normal em várias regiões produtoras. Caso esse padrão climático continue nas próximas semanas, a volatilidade deve permanecer elevada e novas oscilações nos preços das commodities agrícolas poderão ocorrer.
