Chuvas e frio exigem atenção de produtores de trigo e café no Sudeste
Frente fria traz chuvas para áreas produtoras e pode beneficiar o trigo, mas aumenta os desafios para a colheita e a qualidade do café.
João Victor Almeida - Imagem: Shutterstock
6/25/20262 min read


A passagem de uma frente fria pela Região Sudeste deve provocar chuvas em áreas de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo ao longo desta semana. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as condições climáticas podem trazer benefícios para as lavouras de trigo, mas também exigem atenção dos cafeicultores em um período importante da colheita.
Para o trigo, as precipitações previstas são consideradas positivas, pois ajudam a manter a umidade do solo e favorecem o desenvolvimento das plantas, especialmente nas áreas que estão em fase de crescimento e estabelecimento da cultura.
Já para o café, o cenário inspira maior cautela. Grande parte das lavouras de café arábica do Sudeste está em plena colheita, principalmente em regiões como Sul de Minas, Cerrado Mineiro, Zona da Mata, Mogiana Paulista e Alta Paulista. A ocorrência de chuvas durante esse período pode dificultar os trabalhos no campo, atrasar a secagem dos grãos e aumentar o risco de fermentações indesejadas, comprometendo a qualidade final da bebida.
Outro ponto de atenção está relacionado ao desenvolvimento das plantas. Após a colheita, os botões florais normalmente permanecem em dormência durante o inverno, aguardando condições adequadas para uma florada uniforme na primavera. No entanto, já existem registros de floradas antecipadas em algumas regiões produtoras de São Paulo e Minas Gerais.
Com a chegada das chuvas, há risco de quebra precoce dessa dormência, estimulando floradas fora de época. Isso pode resultar em desuniformidade na formação e maturação dos frutos, aumentando a presença de grãos verdes na colheita futura e reduzindo o potencial de qualidade do café.
Após a passagem da frente fria, uma massa de ar mais frio deverá atuar sobre a região, provocando queda nas temperaturas, principalmente em áreas de maior altitude da Serra da Mantiqueira e do Sul de Minas Gerais. O frio tende a reduzir temporariamente a atividade fisiológica das plantas, exigindo acompanhamento das condições climáticas pelos produtores nos próximos dias.
