Clima e etanol aumentam incertezas sobre a oferta global de açúcar
Problemas climáticos e maior produção de etanol mantêm o mercado atento ao abastecimento mundial.
João Victor Almeida - Imagem: Schutterstock
7/6/20262 min read


O mercado internacional do açúcar segue acompanhando com atenção os fatores que podem reduzir a oferta global da commodity nos próximos meses. Especialistas apontam que a combinação de condições climáticas desfavoráveis em importantes países produtores e o maior direcionamento da cana para a produção de etanol no Brasil mantém um cenário de incertezas e dá sustentação aos preços no mercado internacional.
A principal preocupação está na Ásia. Na Índia e na Tailândia, dois dos maiores produtores mundiais de açúcar, o início das monções registrou volumes de chuva abaixo da média, aumentando o risco de perdas na produtividade da cana-de-açúcar. Caso o déficit hídrico persista nas próximas semanas, a expectativa é de redução na produção, o que poderá diminuir a oferta disponível para exportação.
Além do clima, outro fator que chama a atenção é a estratégia adotada pela Índia de ampliar os investimentos na produção de etanol. Com maior utilização da cana para fabricar biocombustível, o país pode reduzir suas exportações de açúcar e, futuramente, até aumentar sua necessidade de importação, alterando o equilíbrio do mercado mundial.
No Brasil, maior exportador global de açúcar, o comportamento das usinas também influencia as expectativas. Nesta safra, uma parcela maior da cana está sendo destinada à fabricação de etanol, impulsionada pela boa demanda do combustível no mercado interno. Essa decisão reduz o volume de açúcar produzido e disponível para exportação, contribuindo para um cenário de oferta mais apertada.
As preocupações não se limitam à Ásia. A Europa também enfrenta desafios climáticos, com uma intensa onda de calor atingindo regiões produtoras de beterraba, matéria-prima utilizada na fabricação de açúcar. O clima seco pode comprometer o desenvolvimento das lavouras e reduzir a produção europeia nesta temporada.
Apesar desse cenário de preocupação, especialistas destacam que o Brasil ainda desempenha papel fundamental no abastecimento mundial. Os próximos relatórios sobre a safra do Centro-Sul serão decisivos para mostrar se as usinas continuarão priorizando o etanol ou se aumentarão a produção de açúcar, o que poderia aliviar parte das incertezas sobre a oferta global.
Com isso, o comportamento do clima nas próximas semanas será determinante para o mercado. Caso as chuvas permaneçam abaixo da média na Índia e na Tailândia e as perdas na Europa se confirmem, a tendência é de um mercado mais restrito, mantendo os preços do açúcar sustentados mesmo diante das oscilações observadas nas bolsas internacionais.
