Clima preocupa nos EUA e milho avança em Chicago
Piora das lavouras e extremos climáticos no Cinturão do Milho dão suporte às cotações nesta terça-feira.
João Victor Almeida - Imagem: Schutterstock
8/18/20262 min read


Os contratos futuros do milho começaram esta terça-feira (18) em alta na Bolsa de Chicago (CBOT), dando continuidade aos ganhos da sessão anterior. O mercado volta suas atenções principalmente para as condições climáticas nos Estados Unidos e para a piora na avaliação das lavouras norte-americanas.
Por volta das 9h35, no horário de Brasília, o contrato setembro/26 era negociado a US$ 4,67 por bushel, com avanço de 2,25 pontos. O dezembro/26 subia 2,75 pontos, para US$ 4,92, enquanto março/27 alcançava US$ 5,07 e maio/27, US$ 5,15 por bushel.
Um dos principais fatores de sustentação é a deterioração das condições das plantações. Segundo o relatório semanal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), até domingo (16), 60% das lavouras de milho estavam classificadas como boas ou excelentes, redução de um ponto percentual em apenas uma semana.
A comparação anual chama ainda mais atenção. No mesmo período de 2025, 72% das lavouras norte-americanas estavam em condições boas ou excelentes. A diferença de 12 pontos percentuais reforça as preocupações do mercado sobre o potencial produtivo da atual safra.
O cenário climático também permanece bastante irregular nas principais regiões agrícolas. Partes de Oklahoma e Arkansas enfrentam alertas de calor extremo, condição que pode elevar o estresse das plantas e comprometer seu desenvolvimento, dependendo da duração e intensidade das altas temperaturas.
Em outras regiões, o problema é justamente o excesso de instabilidade. No centro de Illinois, importante estado produtor de milho, há previsão de tempestades severas, chuvas intensas, possibilidade de transbordamento de rios e rajadas de vento potencialmente destrutivas. Eventos dessa intensidade podem provocar danos localizados às plantações e dificultar trabalhos no campo.
Essa combinação de calor excessivo em algumas áreas e tempestades severas em outras aumenta a incerteza sobre o desempenho final da safra norte-americana. Como os Estados Unidos estão entre os maiores produtores e exportadores mundiais de milho, qualquer redução significativa na produtividade pode alterar as expectativas de oferta global e influenciar as cotações internacionais.
Nas próximas sessões, os investidores devem continuar acompanhando principalmente as atualizações dos mapas meteorológicos, as condições semanais das lavouras e as estimativas de produtividade nos EUA. Caso a qualidade das plantações continue recuando ou as condições climáticas se agravem, Chicago poderá incorporar um prêmio de risco maior às cotações.
Para o produtor brasileiro, a valorização do milho em Chicago também merece atenção. Embora os preços domésticos dependam de fatores como câmbio, disponibilidade interna, exportações e demanda, uma Bolsa de Chicago mais firme pode melhorar a referência externa e contribuir para oportunidades de comercialização no mercado nacional.
