Desperdício de alimentos cresce enquanto milhões ainda enfrentam a fome
Perdas ao longo da cadeia produtiva e dentro das residências geram impactos econômicos, sociais e ambientais em todo o país.
João Victor Almeida - Imagem: Senado Federal
7/23/20262 min read


O desperdício de alimentos continua sendo um dos grandes desafios da cadeia agroalimentar mundial. Estima-se que cerca de 1 bilhão de toneladas de alimentos sejam descartadas todos os anos no planeta, enquanto milhões de pessoas ainda enfrentam dificuldades para garantir uma alimentação adequada. No Brasil, dados do IBGE apontam que aproximadamente 7 milhões de pessoas vivem em situação de fome, evidenciando o contraste entre o desperdício e a insegurança alimentar.
As perdas acontecem em praticamente todas as etapas da cadeia produtiva. No campo, fatores como falhas no planejamento da produção, problemas climáticos, falta de infraestrutura, dificuldades de armazenamento, transporte inadequado e limitações no acesso à tecnologia fazem com que parte dos alimentos nunca chegue ao consumidor. Já no comércio, supermercados e varejistas descartam produtos por excesso de oferta, proximidade do vencimento ou por não atenderem aos padrões estéticos exigidos pelo mercado, mesmo quando permanecem próprios para o consumo.
Dentro das residências, o desperdício também é significativo. Compras acima da necessidade, armazenamento inadequado, preparo em excesso e o hábito de descartar alimentos ainda próprios para consumo fazem parte da chamada "cultura da fartura", considerada uma das principais causas das perdas domésticas. Especialistas destacam que mudanças simples de comportamento, como planejamento das compras, melhor aproveitamento dos alimentos e conservação correta, podem reduzir consideravelmente esse desperdício.
Além dos impactos sociais, o descarte de alimentos provoca prejuízos econômicos e ambientais. Todo alimento desperdiçado representa perda de água, energia, fertilizantes, combustível e mão de obra utilizados durante sua produção. Quando esses resíduos são destinados aos aterros sanitários, ocorre a emissão de gás metano, um dos principais responsáveis pelo agravamento do efeito estufa, além da formação de chorume, que pode contaminar o solo e os lençóis freáticos.
Especialistas defendem que o combate ao desperdício depende da atuação conjunta de produtores, indústrias, varejo, consumidores e do poder público. Investimentos em tecnologia, melhoria da logística, educação alimentar, doação de alimentos próprios para consumo e políticas públicas voltadas à segurança alimentar são apontados como medidas essenciais para reduzir perdas, aumentar a eficiência da cadeia produtiva e contribuir para que mais alimentos cheguem à mesa da população.
