El Niño deve aumentar volatilidade na produção de frutas

Fenômeno climático pode afetar safras, exportações e oferta de frutas na América do Sul.

João Victor Almeida - Imagem: Schutterstock

7/21/20262 min read

O fortalecimento do fenômeno El Niño em 2026 deve trazer novos desafios para a fruticultura da América do Sul. Com previsão de temperaturas acima da média em algumas regiões e aumento das chuvas em outras, produtores e exportadores já acompanham os possíveis impactos sobre a produtividade, a qualidade dos frutos, o calendário de colheita e a comercialização internacional.

Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), o fenômeno já está em desenvolvimento e pode atingir intensidade moderada a forte, com possibilidade de alcançar níveis ainda mais elevados entre setembro e novembro. Esse período coincide com importantes safras de exportação em países como Peru, Chile e Colômbia, aumentando a preocupação do setor.

No Peru, o principal desafio será o aumento das temperaturas nas principais regiões produtoras. Os mirtilos podem sofrer com a redução das horas de frio, fator essencial para uma boa floração e desenvolvimento das plantas, comprometendo o tamanho, a firmeza e a conservação dos frutos após a colheita. Nas uvas, o calor pode antecipar a maturação, concentrar a colheita em um período menor e reduzir o calibre das bagas.

A citricultura peruana já começa a registrar reflexos do clima. As exportações de tangerinas apresentaram queda significativa devido ao atraso na coloração externa dos frutos provocado pelas temperaturas elevadas. Embora a qualidade interna permaneça preservada, muitos produtores enfrentam atrasos na colheita, redução da acidez e aumento do risco de perdas comerciais.

No Chile, a principal preocupação é o excesso de chuvas previsto para os próximos meses. As cerejas aparecem entre as culturas mais vulneráveis, já que precipitações durante a colheita podem provocar rachaduras nos frutos e comprometer sua qualidade. Uvas, mirtilos e frutas de caroço também podem sofrer perdas devido ao aumento da incidência de doenças fúngicas, redução da firmeza e menor vida útil após a colheita.

Já na Colômbia, o cenário esperado é de menor volume de chuvas em algumas regiões produtoras de banana, especialmente na região do Caribe. A redução da disponibilidade de água poderá causar estresse hídrico nas lavouras, diminuindo a produtividade, principalmente em áreas que não contam com sistemas de irrigação.

O mercado de abacates também deve enfrentar maior instabilidade ao longo da safra 2026/27. A combinação entre diferentes condições climáticas e calendários de produção pode provocar oscilações na oferta, influenciando os preços e o ritmo das exportações para os principais mercados consumidores.

Além da produção, o El Niño também deve impactar as estratégias comerciais do setor. Especialistas recomendam que os produtores reforcem o monitoramento climático, invistam no manejo adequado da irrigação, fertilização e sistema radicular, além de adotarem tecnologias de pós-colheita para preservar a qualidade das frutas. Em alguns casos, a recomendação é direcionar produtos para mercados mais próximos, reduzindo riscos durante o transporte.

Apesar das medidas de adaptação já adotadas por produtores e exportadores, a expectativa é de que o El Niño aumente a volatilidade da oferta de frutas sul-americanas nos próximos meses, influenciando a produção, a qualidade dos frutos, os preços e a dinâmica do comércio internacional ao longo da safra.

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