El Niño pode elevar preço dos alimentos em até 20%

Hortaliças e carnes devem sentir primeiro os efeitos do clima, com impacto nos preços podendo atingir o pico em até seis meses.

João Victor Almeida - Foto: Schutterstock

8/24/20262 min read

O avanço do El Niño pode aumentar significativamente o preço dos alimentos no Brasil. Segundo estudo do Rabobank, em um cenário de forte intensidade do fenômeno, os alimentos in natura podem registrar alta de até 19,9%, enquanto a alimentação no domicílio pode avançar cerca de 6,32%.

Os efeitos não devem ocorrer de maneira uniforme. Hortaliças e carnes estão entre os produtos mais sensíveis, podendo reagir rapidamente às alterações de temperatura e chuva. No caso das hortaliças, o ciclo produtivo mais curto faz com que perdas nas lavouras sejam percebidas rapidamente na oferta e nos preços.

Já produtos semi-elaborados, como arroz e feijão, tendem a sentir os impactos de maneira mais gradual. Os industrializados podem apresentar aumentos mais suaves, pois seus preços dependem também de processamento, embalagens, transporte e outros custos.

Entre as cadeias agrícolas que podem ser afetadas estão milho, café, feijão e pecuária. Por outro lado, o aumento das chuvas em determinadas regiões pode beneficiar algumas culturas de inverno no Sul do país.

O impacto também pode variar regionalmente. Segundo o estudo, áreas com maior produção ou consumo de alimentos frescos tendem a sentir as mudanças mais rapidamente, com Porto Alegre, Curitiba e São Paulo entre as cidades mais expostas às altas.

As projeções indicam aproximadamente 80% de probabilidade de um El Niño forte no fim de 2026. A intensidade e a duração do fenômeno serão determinantes para definir o tamanho das perdas agrícolas e da pressão sobre os preços.

Em um cenário moderado, o estudo estima que os alimentos in natura poderiam acumular alta de 13,4% em 12 meses. Considerando também os demais grupos alimentícios, o fenômeno poderia acrescentar aproximadamente 0,41 ponto percentual ao IPCA.

Com possibilidade de o impacto atingir seu pico em até seis meses após os choques climáticos, produtores, consumidores e mercado permanecem atentos à evolução do El Niño, que poderá se tornar um importante fator de pressão sobre a produção agropecuária e a inflação dos alimentos.

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