El Niño pode ser o mais forte desde 1950 e trazer riscos intensos ao agro
Fenômeno tem 81% de chance de atingir intensidade muito forte e pode afetar chuvas, temperaturas e lavouras até 2027.
João Victor Almeida - Foto: Divulgação
8/12/20262 min read


O El Niño de 2026 pode se transformar em um dos eventos mais intensos das últimas décadas, aumentando a preocupação principalmente para a agricultura brasileira. Segundo as informações apresentadas, o fenômeno já apresenta forte intensidade e deverá continuar ganhando força nos próximos meses, com possibilidade de permanecer ativo até o início do outono de 2027.
O fenômeno está relacionado ao aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, especialmente em áreas próximas às costas do Peru e do Equador. Na avaliação citada da NOAA, a anomalia da temperatura da superfície do mar chegou a 1,8°C acima da média, indicando um aquecimento expressivo do oceano.
As projeções apontam que o El Niño poderá atingir seu auge entre a primavera de 2026 e o início do verão de 2026/27. De acordo com os dados apresentados, existe 81% de probabilidade de o evento alcançar a categoria de “muito forte”, o que aumenta a atenção sobre seus possíveis efeitos na América do Sul.
No Brasil, um dos principais riscos está na alteração da distribuição das chuvas. Historicamente, episódios intensos de El Niño podem favorecer precipitações acima da média no Sul, aumentando a possibilidade de temporais, enchentes, erosão do solo e dificuldades para realizar operações agrícolas. Chuvas frequentes também podem prejudicar plantio, colheita, aplicação de defensivos e transporte da produção.
No sentido contrário, partes do Centro-Oeste, Norte e Nordeste podem enfrentar períodos mais quentes e secos, dependendo da atuação conjunta de outros sistemas atmosféricos. Para o agronegócio, a irregularidade das precipitações pode comprometer o estabelecimento das lavouras, reduzir a disponibilidade hídrica e aumentar a necessidade de planejamento para enfrentar períodos de estiagem.
Culturas importantes para o país, como soja, milho, arroz, feijão, café e hortaliças, podem sentir os efeitos de maneiras diferentes conforme a região e o estágio das lavouras. A pecuária também pode ser impactada caso calor e falta de chuva prejudiquem pastagens, disponibilidade de água e produção de grãos utilizados na alimentação animal.
Outro ponto de atenção está nos preços dos alimentos. Eventos climáticos severos podem reduzir a produtividade, prejudicar a qualidade dos produtos e provocar dificuldades logísticas. Caso ocorram perdas relevantes em diferentes regiões produtoras, uma oferta menor pode acabar pressionando os preços ao consumidor nos meses seguintes.
Apesar dos riscos, a intensidade do El Niño, sozinha, não determina exatamente quanto choverá ou quais serão as perdas agrícolas em cada região. Outros fatores oceânicos e atmosféricos também interferem no comportamento do clima brasileiro, tornando necessário acompanhar constantemente as atualizações meteorológicas.
Com a possibilidade de um fenômeno prolongado até 2027, produtores deverão acompanhar principalmente as previsões regionais, a disponibilidade de água e as condições de solo. Para o campo, o maior desafio poderá não ser apenas um período de chuva ou seca, mas a maior irregularidade climática durante diferentes etapas das próximas safras.
