Empresas brasileiras buscam novos mercados para reduzir impactos do tarifaço dos EUA

Setores exportadores aceleram estratégias de diversificação, mas afirmam que adaptação exige tempo, investimentos e apoio do governo.

João Victor Almeida - Imagem: Divulgação

7/23/20262 min read

A imposição da tarifa adicional de 25% pelos Estados Unidos sobre diversos produtos brasileiros está levando empresas de diferentes setores a repensarem suas estratégias comerciais e ampliarem a busca por novos mercados internacionais. Apesar desse movimento, representantes da indústria alertam que a diversificação das exportações não acontece de forma imediata e, por isso, não é capaz de evitar, no curto prazo, impactos sobre faturamento, produção, empregos e competitividade.

De acordo com estimativa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), aproximadamente 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, o equivalente a cerca de US$ 7,4 bilhões (R$ 37,7 bilhões), podem ser afetadas pelas novas tarifas. Os Estados Unidos continuam entre os principais parceiros comerciais do Brasil, principalmente para segmentos industriais de maior valor agregado, tornando o impacto significativo para diversas cadeias produtivas.

Desde o início das medidas comerciais adotadas pelo governo norte-americano, empresas brasileiras vêm buscando alternativas para reduzir a dependência do mercado americano. Entre as estratégias estão a ampliação das exportações para países da América Latina, Europa, Oriente Médio e Ásia, além da participação em feiras internacionais, abertura de novos canais comerciais e fortalecimento de parcerias com importadores em outros mercados. No entanto, especialistas destacam que conquistar novos clientes exige negociações prolongadas, certificações específicas, adaptação às exigências de cada país e investimentos em logística, marketing e distribuição.

O setor calçadista é um dos que acompanham a situação com maior preocupação. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), diversas empresas conseguiram, inicialmente, dividir parte do custo das tarifas com compradores norte-americanos. Entretanto, a continuidade das sobretaxas reduz a competitividade do produto brasileiro frente a concorrentes de outros países e aumenta a insegurança para novos contratos de exportação.

Na indústria moveleira, o cenário também preocupa. A Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel) informa que cerca de 30% das exportações do setor têm como destino os Estados Unidos. Com a redução da demanda, polos industriais localizados em estados como São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais já registraram desaceleração da produção e milhares de desligamentos de trabalhadores. Segundo representantes do segmento, a substituição desse mercado por novos compradores internacionais depende da construção de relações comerciais de longo prazo e enfrenta forte concorrência mundial.

Além da diversificação das exportações, empresários defendem medidas internas para fortalecer a competitividade da indústria brasileira. Entre as principais reivindicações estão a redução da carga tributária, incentivos à produção nacional, ampliação das linhas de crédito, apoio às exportações e ações para conter o avanço das importações. O objetivo é ampliar a presença dos produtos brasileiros no mercado interno enquanto novos mercados externos são consolidados.

Especialistas também destacam que o cenário internacional se tornou ainda mais competitivo, já que diversos países afetados pelas políticas comerciais dos Estados Unidos passaram a disputar os mesmos mercados alternativos. Isso aumenta a concorrência global e exige maior eficiência das empresas brasileiras para manter espaço no comércio internacional. Enquanto as negociações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos continuam sendo consideradas fundamentais para reduzir os impactos das tarifas, o setor produtivo trabalha para adaptar suas estratégias comerciais e diminuir a dependência de um único mercado ao longo dos próximos anos.

Acompanhe-nos nas redes sociais

Entre em contato para esclarecer suas dúvidas ou enviar sugestões de melhorias para o nosso site.

marketing@reidafazenda.com.br

© 2026. Todos os direitos reservados.

financeiro@reidafazenda.com.br

E-mail

vendas@reidafazenda.com.br