Exportação de ovos processados atinge melhor resultado em 20 anos e ganha espaço no mercado externo
Mesmo com queda no volume total embarcado em 2026, participação dos ovos processados cresce e reforça mudança no perfil das exportações brasileiras do setor avícola.
João Victor Almeida - Imagem: Schutterstock
6/15/20262 min read


O mercado brasileiro de ovos segue apresentando movimentações importantes no comércio exterior em 2026. Embora o volume total exportado tenha registrado retração nos primeiros cinco meses do ano, um segmento específico vem chamando a atenção: os ovos processados. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), analisados pelo Cepea, as exportações dessa categoria alcançaram o melhor desempenho para o período desde 2006, demonstrando uma mudança gradual no perfil das vendas internacionais do setor.
Entre janeiro e maio de 2026, o Brasil exportou 12,39 mil toneladas de ovos, considerando os produtos in natura e processados. O volume representa uma redução de 32,5% em comparação com o mesmo período de 2025, quando os embarques somaram 18,36 mil toneladas. Apenas no mês de maio, foram exportadas 2,18 mil toneladas, resultado 5,7% inferior ao registrado em abril e 59% menor que o observado no mesmo mês do ano passado.
Apesar da queda nos embarques totais, os ovos processados ganharam relevância dentro da pauta exportadora. No acumulado do ano, foram comercializadas 3,99 mil toneladas dessa categoria, o equivalente a aproximadamente 32% de todas as exportações brasileiras de ovos. Segundo pesquisadores do Cepea, essa participação é a maior já registrada para o período desde o início da série histórica, em 2006.
O crescimento dos ovos processados reflete uma tendência de agregação de valor aos produtos exportados. Diferentemente dos ovos in natura, os processados passam por etapas industriais que ampliam a vida útil, facilitam o transporte e atendem demandas específicas da indústria alimentícia internacional. Produtos como ovo líquido, gema pasteurizada e ovo em pó vêm ganhando espaço em mercados que buscam praticidade, padronização e segurança alimentar.
Especialistas avaliam que essa mudança pode representar uma oportunidade estratégica para a cadeia avícola brasileira. Além de diversificar os destinos e os formatos de comercialização, o aumento da participação dos ovos processados reduz a dependência exclusiva do mercado de ovos frescos, que costuma ser mais sensível às oscilações de oferta e demanda.
O desempenho também evidencia a capacidade da indústria nacional em atender exigências sanitárias e de qualidade cada vez mais rigorosas no comércio internacional. Com investimentos em tecnologia e processamento, o setor busca ampliar sua competitividade e conquistar novos mercados nos próximos anos.
Mesmo diante da retração observada no volume total exportado em 2026, o avanço dos ovos processados sinaliza uma transformação gradual na estratégia comercial do setor. A expectativa é que a busca por produtos com maior valor agregado continue ganhando força, contribuindo para fortalecer a presença brasileira no mercado global de proteínas e derivados avícolas.
