Feminicídios atingem recorde no Brasil em 2025
Enquanto os homicídios caíram ao menor nível em 13 anos, os casos de feminicídio e outras formas de violência contra a mulher cresceram no país
João Victor Almeida - Imagem: Senado Federal
7/23/20262 min read


O Brasil registrou, em 2025, o maior número de feminicídios desde que esse tipo de crime passou a ser contabilizado oficialmente. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, foram 1.571 mulheres assassinadas por razões de gênero, um aumento de 4% em relação ao ano anterior. Na prática, isso representa uma média de quatro mulheres mortas por dia, evidenciando que a violência contra a mulher continua sendo um dos maiores desafios da segurança pública brasileira.
O levantamento mostra que o crescimento do feminicídio ocorreu justamente em um momento em que o país alcançou resultados positivos na redução da violência em geral. As mortes violentas intencionais, que incluem homicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte, caíram para 40.775 registros em 2025, o menor número desde 2012. A taxa nacional também ficou abaixo de 20 mortes por 100 mil habitantes pela primeira vez, chegando a 19,1, resultado da redução observada em 20 estados brasileiros.
Além do aumento dos feminicídios, outros indicadores relacionados à violência contra a mulher também apresentaram crescimento expressivo. Os registros de stalking (perseguição) aumentaram cerca de 30%, os casos de violência psicológica cresceram 17%, e os episódios de descumprimento de medidas protetivas também avançaram 17%. Os dados reforçam que a violência de gênero vai muito além das agressões físicas e continua afetando milhares de mulheres diariamente.
Especialistas apontam que o aumento desses registros pode estar ligado tanto à maior procura das vítimas pelos canais de denúncia quanto à persistência de problemas estruturais, como a violência doméstica, o controle exercido por parceiros e ex-companheiros e a dificuldade de romper ciclos de agressão. O anuário destaca que o fortalecimento das políticas públicas de prevenção, proteção às vítimas e punição aos agressores continua sendo essencial para reduzir esses índices.
O estudo também revela outros desafios para a segurança pública brasileira. Houve aumento nas mortes decorrentes de intervenções policiais, crescimento dos casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes e avanço das ocorrências de bullying. Outro dado de destaque é o tamanho da população carcerária, que chegou a aproximadamente 964 mil pessoas, mantendo o Brasil entre os países com maior número de presos no mundo.
Apesar da queda histórica nos homicídios em geral, o avanço dos feminicídios demonstra que o combate à violência contra as mulheres exige ações específicas e permanentes. Os números reforçam a necessidade de ampliar a proteção às vítimas, fortalecer a rede de atendimento e desenvolver políticas de prevenção para reduzir um problema que continua fazendo milhares de vítimas todos os anos.
