Inflação dos alimentos acelera em maio e pesa no bolso dos brasileiros
Batata, tomate, cebola e carnes lideraram as altas do mês, enquanto café moído, frutas e alguns pescados registraram queda nos preços.
João Victor Almeida - Imagem: Schutterstock
6/13/20262 min read


Os alimentos continuaram exercendo forte pressão sobre o orçamento das famílias brasileiras em maio. De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o grupo Alimentação e Bebidas registrou alta de 1,33% no mês e foi um dos principais responsáveis pela elevação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país.
Embora o IPCA tenha desacelerado para 0,58% em maio, frente aos 0,67% registrados em abril, os preços dos alimentos consumidos dentro de casa continuaram avançando de forma significativa, acumulando alta média de 1,65% no período.
Entre os produtos que mais encareceram, o destaque ficou para a batata-inglesa, que apresentou uma expressiva valorização de 44,69%. O pepino também registrou forte aumento, com alta de 44,3%, seguido pelo tomate, que subiu 20,62%, e pela cebola, que avançou 16,8%.
Outros alimentos importantes na mesa dos brasileiros também ficaram mais caros. O morango teve alta de 16,6%, enquanto a cenoura subiu 8,93% e o feijão-carioca registrou aumento de 6,44%. No setor de proteínas, diversas carnes apresentaram reajustes, com destaque para o filé-mignon (+4,48%), carne-seca (+4,09%), picanha (+3,97%) e peito bovino (+3,18%).
Segundo o gerente do IPCA, José Fernando Gonçalves, a alta desses produtos está relacionada principalmente à redução da oferta em algumas regiões produtoras e ao aumento dos custos logísticos, influenciados pelo encarecimento dos combustíveis e do transporte de mercadorias.
Enquanto alguns itens pressionaram a inflação, outros ajudaram a aliviar parcialmente o impacto no orçamento das famílias. O café moído, que acumulou fortes altas nos últimos meses, apresentou queda de 2,38% em maio. As frutas, de forma geral, também registraram recuo médio de 0,70%.
Entre os produtos com maiores reduções de preços, a abobrinha liderou com queda de 11,43%, seguida pela laranja-lima (-9,87%), maracujá (-6,23%) e pimentão (-6,99%). Diversos tipos de pescado também apresentaram redução nos preços, como cavala, palombeta, serra, anchova, corvina, pescada e cação.
Além da alimentação dentro de casa, as despesas com alimentação fora do domicílio também ficaram mais caras em maio. No entanto, o avanço foi mais moderado, registrando alta de 0,49%, com desaceleração tanto nos preços das refeições quanto dos lanches em comparação ao mês anterior.
Especialistas apontam que fatores climáticos, questões de oferta e custos de produção continuam sendo determinantes para o comportamento dos preços dos alimentos. Produtos hortifrutigranjeiros, por exemplo, costumam apresentar grande sensibilidade às condições climáticas, enquanto carnes e outros alimentos industrializados sofrem influência dos custos com insumos, energia e transporte.
O cenário reforça a importância do acompanhamento dos mercados agrícolas e da produção rural, já que variações na oferta e na demanda impactam diretamente os preços pagos pelos consumidores. Para os próximos meses, o comportamento do clima, os custos logísticos e o ritmo da produção agrícola seguirão sendo fatores decisivos para a evolução dos preços dos alimentos no país.
Mesmo com a desaceleração da inflação geral, os alimentos continuam sendo um dos principais componentes de pressão sobre o custo de vida dos brasileiros, exigindo atenção tanto dos consumidores quanto dos agentes do setor produtivo.
