INMET monitora possível formação de ciclone bomba no Sul do Brasil
Sistema de baixa pressão pode provocar tempestades severas, ventos intensos, granizo e queda acentuada das temperaturas entre os dias 6 e 8 de agosto.
João Victor Almeida - Foto: Divulgação
8/5/20262 min read


O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) acompanha a evolução de um sistema de baixa pressão que poderá dar origem a um ciclone extratropical de grande intensidade entre a Argentina, Uruguai, Sul do Brasil e o Oceano Atlântico nos próximos dias. De acordo com os modelos meteorológicos, há condições favoráveis para a ocorrência da chamada ciclogênese explosiva, também conhecida como bombogênese ou, popularmente, ciclone bomba, fenômeno caracterizado pela rápida intensificação da pressão atmosférica em um curto intervalo de tempo.
Segundo o modelo COSMO, utilizado pelo INMET, o sistema começa a se organizar na quinta-feira (6), inicialmente sobre o norte da Argentina e o Paraguai, evoluindo para um centro de baixa pressão entre o Uruguai e o litoral do Rio Grande do Sul. A previsão indica que a pressão central do ciclone poderá cair de forma acelerada, atingindo aproximadamente 940 hPa no sábado (8), condição compatível com um processo de bombogênese, caso essa redução seja confirmada durante a evolução do sistema.
Os maiores impactos no Brasil são esperados entre 6 e 8 de agosto, principalmente na Região Sul. A atuação do ciclone favorecerá o avanço de uma frente fria capaz de provocar chuvas intensas, temporais, descargas elétricas, queda de granizo e rajadas de vento. Em algumas áreas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, há potencial para tempestades severas e formação de linhas de instabilidade associadas ao deslocamento da frente fria.
No Oceano Atlântico, próximo ao centro do ciclone, as rajadas de vento poderão ultrapassar 100 km/h. Já em áreas costeiras e no Sul do Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, são esperadas rajadas superiores a 60 km/h, aumentando o risco de transtornos como destelhamentos, queda de árvores, interrupções no fornecimento de energia elétrica e impactos na navegação.
Após a passagem do sistema, uma massa de ar frio avançará sobre a Argentina e o Centro-Sul do Brasil, provocando queda significativa das temperaturas. O resfriamento deverá atingir não apenas a Região Sul, mas também áreas do Centro-Oeste e do Sudeste, aumentando a possibilidade de frio intenso nos dias seguintes.
O INMET também mantém avisos meteorológicos para diversas regiões. Para quarta-feira (5), está em vigor um alerta amarelo de perigo potencial para tempestades em áreas do Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e na divisa entre São Paulo e Paraná. Já para quinta-feira (6), o instituto prevê a emissão de alerta laranja de perigo para tempestades no sul de Mato Grosso do Sul, oeste e sul do Paraná, Santa Catarina e todo o Rio Grande do Sul, onde são esperados os impactos mais expressivos do sistema.
O instituto destaca que, embora os modelos indiquem um cenário bastante favorável à formação de um ciclone extratropical intenso, a classificação oficial como ciclone bomba dependerá da confirmação da queda da pressão atmosférica durante o desenvolvimento do fenômeno. Diante da possibilidade de mudanças na trajetória e na intensidade do sistema, o INMET recomenda que a população acompanhe as atualizações da previsão do tempo e os avisos meteorológicos oficiais para adotar medidas preventivas quando necessário.
