Mercado do arroz segue pressionado mesmo com perspectiva de queda na oferta global
Preços continuam em baixa no Rio Grande do Sul, enquanto projeções internacionais apontam menor produção mundial e aumento do consumo.
João Victor Almeida
5/20/20261 min read


O mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul continua operando em cenário de pressão sobre os preços, marcado pela baixa liquidez nas negociações, cautela dos compradores e resistência dos produtores em aceitar valores menores.
Segundo análises do Cepea, a valorização do real frente ao dólar também contribuiu para enfraquecer as cotações do arroz brasileiro, reduzindo a competitividade das exportações e diminuindo o ritmo da demanda internacional, que vinha sendo um dos principais fatores de sustentação do mercado nos últimos meses.
Enquanto o mercado interno segue pressionado, os dados internacionais começam a apontar um cenário mais apertado para a oferta mundial de arroz. Novas projeções divulgadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam redução da produção global na safra 2026/27, ao mesmo tempo em que o consumo mundial deve atingir nível recorde.
Segundo o USDA, a produção mundial de arroz beneficiado deverá alcançar 537,9 milhões de toneladas, volume 0,9% menor em comparação à temporada anterior. Já o consumo global está projetado em 541,3 milhões de toneladas, avanço de 0,7%, refletindo a continuidade da forte demanda mundial pelo cereal.
Com isso, os estoques globais devem apresentar queda ao final da safra 2026/27, recuando para 192,7 milhões de toneladas. A relação entre estoque final e consumo também deve diminuir, indicando um mercado internacional mais ajustado nos próximos meses.
No Brasil, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) também revisou levemente para baixo a estimativa da safra 2025/26, fator que mantém o setor atento ao comportamento da oferta interna e das exportações.
Apesar das perspectivas de menor disponibilidade global no futuro, o mercado brasileiro ainda enfrenta dificuldades de reação no curto prazo, pressionado pelo câmbio, pela lentidão das negociações e pela postura cautelosa dos compradores no mercado físico.
