Mercado do boi gordo encerra primeiro semestre com preços em alta, aponta Cepea
Oferta restrita de animais, demanda aquecida e exportações sustentaram a valorização da arroba nos primeiros seis meses de 2026.
João Victor Almeida - Imagem: Schutterstock
7/2/20262 min read


O mercado do boi gordo encerrou o primeiro semestre de 2026 com preços em alta, contrariando o comportamento sazonal normalmente observado nesta época do ano. De acordo com o Cepea, a combinação entre oferta restrita de animais para abate, valorização do bezerro, elevada participação de fêmeas nos abates e forte demanda internacional pela carne bovina brasileira sustentou as cotações ao longo dos primeiros seis meses do ano.
Em junho, o Indicador do Boi Gordo CEPEA/ESALQ, referência para o estado de São Paulo, registrou média à vista de R$ 347,59 por arroba, valor 4,6% superior ao observado em janeiro, quando a média foi de R$ 332,14 por arroba, considerando os valores corrigidos pela inflação.
Segundo os pesquisadores do Cepea, o maior patamar de preços foi registrado em abril, quando a média da arroba atingiu R$ 365,93, impulsionada principalmente pela entrada do período de entressafra, fase em que tradicionalmente diminui a oferta de animais prontos para o abate.
Outro fator importante foi a forte demanda do mercado externo, especialmente da China, principal destino da carne bovina brasileira. Mesmo com ajustes nas compras ao longo do semestre, as exportações permaneceram em níveis elevados, contribuindo para manter a valorização do mercado pecuário.
Além disso, a maior participação de fêmeas nos abates continua sendo acompanhada pelo setor, pois essa prática reduz o número de matrizes disponíveis para reprodução, limitando a oferta futura de animais terminados e podendo influenciar a formação dos preços nos próximos ciclos da pecuária.
O Cepea destaca ainda que, historicamente, os preços da arroba costumam apresentar queda entre janeiro e junho devido ao aumento da oferta de animais durante esse período. Em 2026, no entanto, esse comportamento não se confirmou, refletindo um mercado mais firme e sustentado pelos fundamentos de oferta e demanda.
Para os próximos meses, produtores e frigoríficos devem continuar acompanhando o ritmo das exportações, a disponibilidade de animais para abate e o comportamento do mercado internacional, fatores que seguirão sendo decisivos para a formação dos preços da arroba no segundo semestre.
