México e Chile miram Brasil para ampliar exportações de frutas e hortaliças
País ganha espaço como mercado estratégico para exportadores que buscam reduzir a dependência dos EUA e da China.
João Victor Almeida - Foto: Divulgação
8/12/20262 min read


O Brasil está ganhando importância na estratégia comercial de México e Chile para frutas frescas e hortaliças. Representantes dos dois países destacaram o mercado brasileiro como uma oportunidade para diversificar destinos e diminuir a forte dependência de grandes compradores, principalmente Estados Unidos e China.
O tema ganhou destaque durante a The Brazil Conference & Expo, realizada em São Paulo nos dias 4 e 5 de agosto. Representantes da International Fresh Produce Association (IFPA) avaliaram que o tamanho do mercado consumidor brasileiro e a complementaridade entre as produções podem abrir espaço para uma expansão das relações comerciais.
No caso do México, a necessidade de diversificação é especialmente relevante. Terceiro maior exportador mundial de frutas frescas, o país movimentou US$ 18,12 bilhões em exportações de frutas, verduras e legumes em 2024. Entretanto, aproximadamente 91% desses embarques tiveram os Estados Unidos como destino, criando elevada dependência de um único mercado.
Essa concentração deixa os produtores e exportadores mexicanos mais vulneráveis a mudanças tarifárias, comerciais e ao comportamento da demanda norte-americana. Diante desse cenário, o país procura aumentar sua presença em mercados como Oriente Médio, Índia e outros países asiáticos, além do próprio Brasil.
A complementaridade entre as duas agriculturas aparece como uma oportunidade. Enquanto o México possui grande participação internacional na comercialização de hortaliças, o Brasil é uma potência na produção de frutas. Uma maior integração poderia ampliar a variedade de produtos disponíveis ao consumidor e criar novas oportunidades para importadores, distribuidores e redes varejistas brasileiras.
O Chile também pretende aumentar sua participação no mercado brasileiro. O país possui aproximadamente 17 mil unidades produtoras e, segundo os dados apresentados, exportou US$ 7,6 bilhões em frutas frescas até maio de 2026. China e Estados Unidos continuam sendo os principais compradores, respondendo por 44,6% e 17% das exportações, respectivamente.
Entre os principais produtos chilenos estão as cerejas, responsáveis por 21% do volume exportado e expressivos 44% do valor, além das maçãs e peras, que representam conjuntamente 23% do volume e 11% do valor das vendas externas.
Apesar da proximidade geográfica, a participação brasileira nas exportações chilenas ainda possui espaço para crescer. Um dos principais desafios apontados pelo setor envolve as exigências fitossanitárias e os processos de certificação necessários para liberar produtos agrícolas no comércio bilateral.
A digitalização desses procedimentos é apontada como uma maneira de reduzir burocracias e tornar as operações mais rápidas, facilitando a entrada de novos produtos e aumentando o fluxo comercial entre Chile e Brasil.
A movimentação de mexicanos e chilenos mostra uma tendência importante do comércio agrícola internacional: reduzir a dependência de poucos grandes compradores e buscar mercados alternativos. Para o Brasil, esse processo pode significar maior presença de frutas e hortaliças importadas, aumento da variedade disponível e também uma nova dinâmica de concorrência para determinados segmentos da produção nacional.
