Milho fecha em queda na B3, enquanto Chicago encerra sessão sem direção definida

Avanço da colheita da safrinha pressiona os preços no Brasil, enquanto clima e câmbio movimentam o mercado internacional.

João Victor Almeida - Imagem: Schutterstock

7/3/20262 min read

O mercado do milho encerrou a quinta-feira (2) com comportamento diferente entre as bolsas. Na B3, os contratos futuros fecharam em queda, refletindo principalmente o avanço da colheita da segunda safra brasileira e o aumento da oferta de grãos no mercado. Já na Bolsa de Chicago (CBOT), as cotações terminaram sem uma direção única, alternando pequenas altas e baixas ao longo do pregão em meio a ajustes técnicos e às expectativas sobre o desenvolvimento da safra norte-americana.

Na bolsa brasileira, os principais vencimentos recuaram entre 0,1% e 0,6%. O contrato com vencimento em julho encerrou cotado a R$ 64,82 por saca, enquanto o setembro fechou em R$ 67,98. Durante parte do dia, os preços chegaram a subir acompanhando a valorização do dólar, porém perderam força à medida que a moeda norte-americana reduziu os ganhos e encerrou praticamente estável, próxima de R$ 5,21.

O principal fator de pressão sobre o mercado brasileiro continua sendo a evolução da colheita da safrinha. Com a entrada gradual de um volume cada vez maior de milho no mercado, aumenta a disponibilidade do produto, reduzindo o espaço para altas nas cotações tanto na bolsa quanto nas principais regiões produtoras do país.

Segundo analistas do setor, ainda existe uma grande quantidade de milho para ser colhida nas próximas semanas. A expectativa é de que o ritmo da colheita acelere durante o restante de julho e também em agosto, mantendo a oferta elevada e limitando uma recuperação mais consistente dos preços no curto prazo. Somente após o avanço significativo dos trabalhos de campo e uma redução na pressão da oferta é que o mercado poderá apresentar uma reação mais firme, cenário esperado apenas a partir de setembro.

No mercado internacional, os contratos futuros do milho oscilaram durante toda a sessão. Os vencimentos mais curtos registraram leves ganhos, enquanto os contratos mais longos encerraram com pequenas perdas. O contrato dezembro terminou negociado próximo de US$ 4,41 por bushel.

Em Chicago, o mercado segue sendo influenciado pelas boas condições climáticas no Corn Belt, principal região produtora dos Estados Unidos. As previsões indicam clima favorável ao desenvolvimento das lavouras, sem grandes ameaças à nova safra, fator que limita movimentos de alta mais expressivos.

Por outro lado, a desvalorização do dólar frente a outras moedas aumentou a competitividade do milho norte-americano nas exportações, ajudando a sustentar parte das cotações. Além disso, investidores acompanham com atenção a intensa onda de calor que atinge parte da Europa, situação que pode reduzir o potencial produtivo em algumas regiões e oferecer suporte adicional aos preços internacionais caso os impactos sobre a produção sejam confirmados.

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