Mosca-da-bicheira avança nos EUA e novo caso em cachorro acende alerta sanitário
Praga que ameaça a pecuária foi identificada em um cão e um bezerro no Texas; autoridades intensificam ações para conter a disseminação da larva parasita.
João Victor Almeida - Imagem: Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação
6/9/20262 min read


As autoridades sanitárias dos Estados Unidos voltaram a acender o sinal de alerta após a confirmação de novos casos da mosca-da-bicheira no estado do Texas. Desta vez, a praga foi identificada em um cachorro e em um bezerro, elevando para quatro o número de ocorrências confirmadas no país desde o início de junho.
Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), os animais infectados estavam localizados em regiões separadas por centenas de quilômetros, nos condados de La Salle e Andrews. A distância entre os casos reforça a preocupação das autoridades quanto à capacidade de dispersão da praga e aos desafios para seu controle.
A mosca-da-bicheira é considerada uma das ameaças sanitárias mais preocupantes para a pecuária. Diferentemente de outras espécies, suas larvas se alimentam de tecido vivo dos animais, provocando feridas graves, infecções secundárias e, em casos mais severos, podendo levar à morte do hospedeiro.
O ciclo da infestação começa quando a fêmea deposita seus ovos em ferimentos abertos. Após a eclosão, as larvas penetram nos tecidos e passam a se alimentar da carne viva. Bovinos estão entre os principais alvos, mas a infestação também pode ocorrer em equinos, ovinos, caprinos, animais silvestres, animais de estimação e, em situações raras, até mesmo em seres humanos.
Os dois primeiros registros deste novo surto foram identificados em bezerros jovens no início de junho. Agora, a confirmação da infestação em um cachorro amplia a preocupação sobre o potencial de disseminação da praga entre diferentes espécies animais.
De acordo com o USDA, equipes de vigilância sanitária seguem monitorando propriedades rurais e analisando novos casos suspeitos. O objetivo é impedir que a praga se estabeleça novamente no território americano, onde havia sido erradicada ainda na década de 1960 após um longo programa de controle biológico.
A preocupação aumentou após a reintrodução da mosca-da-bicheira no México, registrada no final de 2024. Desde então, autoridades dos Estados Unidos vêm reforçando medidas preventivas para evitar que o inseto atravesse as fronteiras e provoque impactos na produção pecuária.
Uma das principais estratégias utilizadas no combate à praga é a liberação de machos estéreis da mosca. Como as fêmeas acasalam apenas uma vez durante toda a vida, o cruzamento com machos incapazes de gerar descendentes reduz gradualmente a população do inseto no ambiente.
O governo norte-americano anunciou recentemente investimentos para ampliar a produção dessas moscas estéreis em instalações especializadas e também confirmou a construção de uma nova unidade de produção no Texas. A expectativa é aumentar a capacidade de resposta diante dos focos identificados.
Além dos prejuízos diretos aos animais, a presença da mosca-da-bicheira representa um risco econômico significativo para a cadeia pecuária. Infestações podem causar perdas produtivas, aumento dos custos veterinários, restrições sanitárias e impactos no comércio internacional de produtos de origem animal.
Especialistas reforçam que a vigilância constante e a rápida identificação de casos suspeitos são fundamentais para evitar a expansão da praga. O avanço da mosca-da-bicheira nos Estados Unidos serve como alerta para países produtores, destacando a importância das medidas de biosseguridade e do monitoramento sanitário contínuo nas propriedades rurais.
