Mulheres quilombolas transformam babaçu em renda, autonomia e desenvolvimento no Maranhão

Comunidade de Pedrinhas fortalece a bioeconomia ao transformar o babaçu em alimentos, artesanato e oportunidade para famílias quilombolas.

João VIctor Almeida - Imagem: Divulgação

5/24/20262 min read

O babaçu, fruto tradicional presente no Norte e Nordeste brasileiro, vem se tornando símbolo de geração de renda, autonomia feminina e valorização cultural em comunidades quilombolas do Maranhão. Na comunidade de Pedrinhas, mulheres quebradeiras de coco transformaram um conhecimento passado entre gerações em uma agroindústria sustentável que hoje movimenta a economia local.

A iniciativa, apoiada pela Embrapa e por programas de capacitação, reúne trabalhadoras que utilizam o aproveitamento integral do babaçu para produzir diversos alimentos e derivados. Entre os produtos desenvolvidos estão sorvetes, bolos, pães, biscoitos, pudins, leite vegetal, queijo vegetal e até hambúrgueres feitos a partir do fruto.

O trabalho começou ainda em 1989, através da criação de um clube de mães formado por mulheres quebradeiras de coco. Com o passar dos anos, a atividade evoluiu para uma agroindústria organizada, fortalecendo a independência financeira das famílias da comunidade.

Além da produção de alimentos, o babaçu também passou a ser utilizado na fabricação de artesanatos. A palha do coco, antes usada principalmente na cobertura de casas, hoje é transformada em flores decorativas, cestos e peças artesanais utilizadas em feiras, eventos e na apresentação dos próprios produtos da comunidade.

Segundo as trabalhadoras, o crescimento da produção foi impulsionado pelo apoio técnico, capacitações e pesquisas que ajudaram a melhorar a qualidade dos produtos e ampliar as possibilidades de comercialização.

Atualmente, a agroindústria já possui certificações importantes, como o selo quilombola e o selo “Gosto do Maranhão”, reconhecimentos que valorizam a produção artesanal e fortalecem a identidade regional dos alimentos produzidos pela comunidade.

Mais do que geração de renda, a atividade representa valorização cultural e orgulho para as mulheres que mantêm viva a tradição das quebradeiras de coco. Muitas delas aprenderam o trabalho ainda na infância, acompanhando mães e familiares nas atividades no campo.

A iniciativa também busca envolver jovens e adolescentes da comunidade, garantindo continuidade ao conhecimento tradicional e fortalecendo o futuro da economia local por meio da bioeconomia sustentável.

O projeto mostra como o agronegócio familiar, aliado à preservação ambiental e ao empreendedorismo feminino, pode transformar realidades, gerar oportunidades e agregar valor aos recursos naturais brasileiros.

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