Nem tudo é o que parece: o que define um alimento “seguro”?

Diferença entre perigo e risco ainda gera confusão e distorce debates no agro

João Victor Almeida

4/20/20261 min read

Quando o assunto é segurança alimentar, muita gente ainda confunde dois conceitos importantes: perigo e risco. E essa diferença faz toda a diferença na forma como os alimentos e insumos agrícolas são avaliados.

O perigo está ligado ao potencial de causar dano. Já o risco considera a chance real disso acontecer, levando em conta fatores como quantidade, exposição e uso correto. Ou seja, nem tudo que pode causar dano representa, de fato, um risco no dia a dia.

No agro, essa confusão aparece com frequência. Produtos como o glifosato, por exemplo, são muitas vezes vistos como altamente perigosos, mesmo sendo amplamente estudados e regulamentados. Dentro dos critérios técnicos, ele apresenta baixo risco quando utilizado corretamente.

Por outro lado, produtos considerados “naturais”, como bioinsumos, costumam ser vistos como totalmente seguros. Mas isso nem sempre é verdade. Assim como qualquer outro insumo, eles também precisam de avaliação científica rigorosa.

No fim das contas, a percepção das pessoas nem sempre acompanha a realidade técnica. Muitas decisões são baseadas mais em sensação do que em informação.

O desafio está justamente em aproximar o conhecimento científico do público, tornando o debate mais claro, equilibrado e baseado em dados reais.