Pesquisa amplia uso de fungo no controle biológico
Estudo da Embrapa mostra que ajustes no cultivo aumentam a eficiência de fungo contra a podridão cinzenta.
João Victor Almeida - Foto: Reprodução
7/28/20262 min read


Pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente desenvolveram um estudo que amplia o potencial de uso do fungo Clonostachys rosea no controle biológico da podridão cinzenta, uma das doenças mais destrutivas da agricultura mundial. Causada pelo fungo Botrytis cinerea, a doença afeta mais de 200 espécies vegetais, incluindo culturas de grande importância econômica, como tomate, morango, uva, cereja e diversas hortaliças, provocando perdas tanto durante o cultivo quanto no armazenamento e transporte dos alimentos.
O Clonostachys rosea é considerado um microrganismo benéfico por atuar como um "guarda-costas" natural das plantas. Além de combater fungos causadores de doenças, ele também apresenta ação contra nematoides e alguns insetos, estimula os mecanismos naturais de defesa das plantas e produz compostos com atividade antifúngica. Essas características fazem dele uma alternativa promissora para reduzir a dependência de defensivos químicos na agricultura.
Durante a pesquisa, os cientistas avaliaram como pequenas mudanças nas condições de cultivo do fungo poderiam aumentar sua eficiência. Os testes demonstraram que uma maior disponibilidade de oxigênio e ajustes na proporção entre carbono e nitrogênio favorecem a produção de estruturas importantes para sua sobrevivência e reprodução, como os conídios e os microscleródios. Essas estruturas tornam o fungo mais resistente e potencializam sua capacidade de atuar no controle de doenças.
Os pesquisadores também transformaram essas estruturas e os metabólitos produzidos durante a fermentação em pequenos grânulos que podem ser misturados à água e aplicados de forma semelhante aos produtos agrícolas convencionais. Em testes realizados com tomate-cereja infectado pela podridão cinzenta, todas as formulações desenvolvidas reduziram significativamente a incidência da doença, demonstrando o potencial da tecnologia.
Outro destaque da pesquisa foi a identificação de compostos naturais conhecidos como sorbicilinoides, substâncias produzidas pelo próprio fungo durante o cultivo que possuem forte ação antifúngica. Esses compostos atuam em conjunto com o microrganismo, formando uma estratégia dupla de proteção das plantas, o que pode aumentar a eficiência do controle biológico e reduzir ainda mais a necessidade de fungicidas sintéticos.
Apesar dos resultados promissores, a tecnologia ainda passará por novas etapas de validação antes de chegar ao mercado. Os próximos estudos incluem testes em estufas e lavouras comerciais, avaliações em diferentes condições climáticas, análises sobre armazenamento, prazo de validade, segurança alimentar, escalonamento industrial e comparação de custos com os produtos atualmente disponíveis.
Caso os resultados sejam confirmados em escala comercial, a inovação poderá representar um avanço importante para a agricultura sustentável, oferecendo aos produtores uma alternativa mais segura e ambientalmente responsável para o controle da podridão cinzenta. Além de reduzir o uso de produtos químicos, a tecnologia poderá contribuir para aumentar a qualidade dos alimentos, diminuir perdas na pós-colheita e fortalecer o uso de soluções biológicas no manejo de doenças agrícolas.
