Pesquisa sobre javalis é prorrogada e produtores têm até 30 de junho para participar
Levantamento nacional busca mapear a presença de javalis e javaporcos no campo, mensurar prejuízos e auxiliar na criação de políticas públicas de controle da espécie.
João Victor Almeida - Imagem: Shutterstock
6/9/20262 min read


Produtores rurais ganharam mais tempo para contribuir com um importante levantamento sobre a presença de javalis e javaporcos no meio rural brasileiro. O prazo para participação na pesquisa nacional "Suínos Asselvajados – Percepção de Presença e seus Impactos no Brasil (2025/2026)" foi prorrogado até o dia 30 de junho, permitindo que mais propriedades rurais relatem ocorrências, prejuízos e impactos causados por esses animais.
A pesquisa é coordenada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com apoio de entidades do setor agropecuário, e tem como principal objetivo reunir informações que ajudem a compreender a dimensão do problema em diferentes regiões do país. No Paraná, um dos estados mais afetados pela presença dos suínos asselvajados, a adesão ao levantamento ainda é considerada abaixo do esperado, o que motivou a ampliação do prazo.
Segundo representantes do setor, a participação dos produtores é fundamental para construir um diagnóstico mais preciso da situação e fortalecer futuras ações de controle. Os dados coletados servirão como base para a elaboração de políticas públicas, estratégias de manejo e medidas de proteção sanitária e ambiental.
Os javalis e javaporcos têm avançado rapidamente pelo território brasileiro devido à elevada capacidade de reprodução e à ausência de predadores naturais. A expansão dessas populações tem provocado uma série de prejuízos ao campo, afetando lavouras, pastagens, áreas de preservação e até rebanhos comerciais.
Além dos danos econômicos, especialistas alertam para os impactos ambientais causados pela espécie. Os animais revolvem o solo em busca de alimento, degradam nascentes, comprometem a vegetação nativa e alteram o equilíbrio dos ecossistemas. Em algumas regiões, os prejuízos às culturas agrícolas já representam perdas significativas para os produtores.
A preocupação também envolve a área sanitária. Os javalis podem atuar como reservatórios e transmissores de diversas doenças que ameaçam a produção pecuária nacional, incluindo a Peste Suína Africana (PSA), a Peste Suína Clássica (PSC) e a Febre Maculosa. Por esse motivo, o monitoramento da espécie é considerado estratégico para a defesa agropecuária brasileira.
No Paraná, o tema vem sendo debatido há anos por entidades ligadas à suinocultura e ao agronegócio. Em 2020, foi criado o Grupo de Trabalho de Javalis do Paraná, reunindo órgãos públicos, instituições de fiscalização, entidades de pesquisa e representantes do setor produtivo para discutir soluções e ampliar o controle populacional desses animais.
A expectativa é que os resultados da pesquisa sejam divulgados no segundo semestre deste ano, oferecendo um panorama atualizado da presença dos suínos asselvajados no Brasil. As informações obtidas deverão contribuir para o desenvolvimento de ações mais eficientes de monitoramento, prevenção de danos e proteção das atividades agropecuárias.
Diante do avanço da espécie e dos prejuízos já observados em diversas regiões, a participação dos produtores rurais torna-se uma ferramenta importante para fortalecer o conhecimento sobre o problema e apoiar a construção de medidas capazes de reduzir os impactos econômicos, ambientais e sanitários causados pelos javalis e javaporcos no campo brasileiro.
