Preços do tomate voltam a subir após três semanas de queda

Recuperação das cotações reflete menor oferta de frutos de qualidade e expectativa de aumento da demanda com o retorno às aulas.

João Victor Almeida - Foto: Divulgação

8/3/20262 min read

Os preços do tomate registraram alta nas principais centrais de abastecimento do país na última semana, interrompendo uma sequência de três semanas consecutivas de queda. Segundo levantamento do Hortifrúti/Cepea, a valorização foi impulsionada principalmente pela menor disponibilidade de tomates de melhor qualidade, apesar de a produção já apresentar ritmo mais próximo do normal nas principais regiões produtoras.

Nas semanas anteriores, o aumento das temperaturas favoreceu a recuperação das lavouras, que haviam sofrido atraso no desenvolvimento devido ao clima mais frio registrado em maio e junho. Com isso, o volume de frutos disponíveis aumentou gradualmente. No entanto, problemas climáticos recentes, como a combinação de chuvas e períodos de forte insolação, afetaram a qualidade de parte da produção, reduzindo a oferta de tomates com padrão comercial mais elevado.

A alta foi observada em todas as centrais acompanhadas pelo Cepea. O tomate longa vida 3A foi comercializado, em média, por R$ 66,67 por caixa no atacado de São Paulo, alta de 19,66%. No Rio de Janeiro, a média chegou a R$ 74,62, avanço de 18,3%. Em Belo Horizonte, os preços atingiram R$ 61,47 por caixa, com valorização de 24,5%, enquanto Campinas (SP) registrou média de R$ 82,86, aumento de 18,93% em relação à semana anterior.

Nas diferentes regiões atacadistas, a qualidade da oferta apresentou comportamentos distintos. Em São Paulo, comerciantes relataram que parte dos tomates apresentou manchas provocadas pelas recentes oscilações climáticas. Já no Rio de Janeiro, o abastecimento, proveniente principalmente do próprio estado e do Espírito Santo, manteve boa qualidade, embora uma parcela da produção estivesse em estágio mais avançado de maturação. Em Belo Horizonte e Campinas, predominou a oferta de tomates de boa qualidade, oriundos de regiões como Araguari, Carmópolis de Minas, Sul de Minas e Mogi Guaçu.

Mesmo com a valorização dos preços, a demanda permaneceu enfraquecida durante a semana. Segundo o Cepea, o consumo ainda foi impactado pelo período de férias escolares, que tradicionalmente reduz o movimento em restaurantes, lanchonetes e estabelecimentos de alimentação coletiva.

Para os próximos dias, a expectativa do setor é de melhora no ritmo das vendas com o retorno das aulas e a retomada gradual do consumo. Caso a demanda aumente e a oferta de tomates de melhor qualidade permaneça limitada, as cotações poderão seguir sustentadas no mercado atacadista.

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