Preços dos ovos registram menor nível para julho desde 2019
Alta oferta e demanda enfraquecida pressionam mercado, mas setor espera recuperação com o fim das férias escolares.
João Victor Almeida - Foto: Divulgação
7/31/20262 min read


Os preços dos ovos seguem em forte queda no mercado brasileiro e registraram, na média parcial de julho, o menor patamar real para o mês desde 2019, segundo levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). O cenário reflete o desequilíbrio entre uma oferta elevada e uma demanda mais fraca, pressionando as cotações em diversas regiões do país.
Nas praças acompanhadas pelo Cepea, os preços acumulam recuo superior a 15% em relação a junho e chegam a apresentar queda de até 18% na comparação com julho do ano passado. A desvalorização supera o comportamento normalmente observado para esta época do ano, evidenciando um mercado mais pressionado do que em anos anteriores.
De acordo com os pesquisadores do Cepea, a redução no ritmo das vendas durante julho já era esperada pelo setor, uma vez que o período de férias escolares costuma diminuir o consumo em escolas, restaurantes e outros estabelecimentos de alimentação. No entanto, a retração da demanda foi intensificada pela manutenção de uma produção elevada, ampliando o excesso de oferta disponível no mercado interno.
Com maior volume de ovos sendo ofertado e menor procura por parte dos consumidores, produtores precisaram reduzir os preços para estimular as vendas e evitar o acúmulo de estoques. Esse movimento acabou pressionando a rentabilidade da atividade, especialmente em um cenário de margens mais apertadas para os avicultores.
Apesar do momento de baixa, agentes consultados pelo Cepea relatam uma leve melhora no fluxo de comercialização nos últimos dias. A expectativa é que a virada do mês, aliada ao retorno das aulas após o período de férias, contribua para uma recuperação gradual da demanda, favorecendo maior equilíbrio entre oferta e consumo.
O setor permanece otimista quanto à possibilidade de reação das cotações nas próximas semanas. Caso o aumento esperado no consumo se confirme, os preços poderão encontrar sustentação e interromper a sequência de quedas observada ao longo de julho. Ainda assim, o comportamento do mercado dependerá da evolução da demanda e da capacidade de ajuste da oferta nos principais polos produtores do país.
