Queda no preço do cacau pode reduzir preços e trazer de volta o “chocolate de verdade”
Após forte baixa no mercado internacional, indústria começa a rever receitas e aumentar novamente o teor de cacau nos produtos.
João Victor Almeida - Imagem: Shutterstock
5/21/20262 min read


Depois de um período marcado por chocolates menores, mudanças nas fórmulas e aumento do uso de ingredientes alternativos, o mercado internacional do cacau começa a dar sinais de normalização. A forte queda nos preços do grão pode trazer impactos positivos tanto para a indústria quanto para os consumidores nos próximos meses.
Os contratos futuros do cacau acumulam recuo de quase 70% em relação aos recordes registrados no fim de 2024, quando problemas climáticos e doenças nas lavouras provocaram uma forte disparada nos preços internacionais da commodity.
Naquele período, o cacau chegou a superar US$ 12 mil por tonelada, pressionando fabricantes de chocolates ao redor do mundo. Para reduzir custos, muitas empresas diminuíram o tamanho das barras, alteraram receitas e passaram a utilizar mais ingredientes como wafers, castanhas, frutas e alternativas com menor teor de cacau.
Agora, com a queda dos preços, grandes empresas do setor já começam a sinalizar uma retomada gradual das fórmulas tradicionais. A fabricante norte-americana Hershey’s, por exemplo, anunciou planos para aumentar novamente o teor de cacau em produtos que haviam sido reformulados durante o período de alta dos custos.
Especialistas do mercado avaliam que outras empresas devem seguir o mesmo caminho, trazendo de volta produtos mais próximos do chamado “chocolate de verdade”. Segundo analistas do setor, os preços atuais do cacau tornam novamente viável a produção com maior utilização da matéria-prima original.
A redução dos preços também pode beneficiar diretamente os consumidores, com expectativa de desaceleração nos reajustes e até possíveis reduções nos valores de alguns produtos ao longo dos próximos meses.
Além disso, o mercado acredita que a demanda por cacau deve voltar a crescer gradualmente no segundo semestre, após um período de retração provocado pelos altos custos da commodity e pela diminuição do consumo em diversos países.
O cenário mostra como as oscilações do mercado agrícola global impactam diretamente a indústria alimentícia, influenciando preços, receitas e até o perfil dos produtos disponíveis nas prateleiras para o consumidor final.
