Soja inicia agosto em queda com clima favorável nos EUA

Previsão de chuvas no Meio-Oeste americano e forte recuo do petróleo pressionam os preços na Bolsa de Chicago.

João Victor Almeida - Foto: Divulgação

8/3/20262 min read

Os contratos futuros da soja começaram agosto em queda na Bolsa de Chicago (CBOT), refletindo a combinação de clima favorável para as lavouras norte-americanas e a forte desvalorização do petróleo no mercado internacional. As previsões de chuvas para importantes regiões produtoras dos Estados Unidos reforçam a expectativa de uma safra robusta, enquanto o recuo de quase 6% nas cotações do petróleo amplia a pressão sobre as commodities agrícolas.

Nos primeiros negócios desta segunda-feira (3), os principais vencimentos da soja registraram perdas entre 3 e 6 pontos, testando os menores níveis das últimas quatro semanas. O contrato de agosto era negociado a US$ 11,69 por bushel, o de novembro a US$ 11,81, enquanto o de janeiro de 2027 era cotado a US$ 11,95 por bushel.

O principal fator de pressão continua sendo o cenário climático nos Estados Unidos. As previsões apontam para a chegada de chuvas em áreas estratégicas do Meio-Oeste durante a fase de formação e enchimento das vagens, considerada uma das etapas mais importantes para definir o potencial produtivo da safra. Embora os mapas mais recentes do NOAA indiquem volumes de precipitação menores do que os previstos na semana passada, as condições ainda são consideradas favoráveis ao desenvolvimento das lavouras.

Com esse cenário, fundos de investimento seguem reduzindo posições compradas e realizando lucros, movimento que contribui para aumentar a pressão sobre os preços. Ao mesmo tempo, o mercado continua avaliando uma perspectiva de oferta mundial confortável, impulsionada pelo bom desempenho das lavouras norte-americanas e pelo ritmo elevado das exportações brasileiras.

Apesar da pressão vinda da oferta, a demanda internacional continua oferecendo algum suporte às cotações. As exportações dos Estados Unidos mantêm bom ritmo nas últimas semanas, e investidores permanecem atentos à possibilidade de novas compras por parte da China e de outros grandes importadores, fator que limita perdas mais expressivas.

Além do clima, o mercado acompanha de perto o comportamento dos ativos financeiros. Nesta segunda-feira, os contratos futuros do farelo e do óleo de soja também operam em baixa, assim como o milho. O petróleo, por sua vez, registra forte desvalorização após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a retomada de negociações com o Irã. A possibilidade de redução das tensões geopolíticas aumentou as expectativas de maior oferta de petróleo no mercado internacional. No entanto, autoridades iranianas negaram que as negociações estejam em andamento, mantendo um ambiente de incerteza.

Ao longo da semana, os investidores seguirão atentos às atualizações dos mapas meteorológicos nos Estados Unidos, ao comportamento da demanda internacional e às oscilações dos mercados financeiro e energético. Esses fatores continuarão sendo decisivos para definir a direção das cotações da soja e das demais commodities agrícolas nos próximos dias.

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