Soja opera estável em Chicago com clima favorável nos EUA
Melhora nas condições climáticas reforça expectativa de boa safra e limita avanços das cotações na Bolsa de Chicago.
João Victor Almeida - Foto: Divulgação
7/31/20262 min read


Os contratos futuros da soja iniciaram esta sexta-feira (31) com pouca variação na Bolsa de Chicago (CBOT), refletindo um mercado cauteloso diante da melhora das condições climáticas nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos. A expectativa de chuvas e temperaturas mais amenas durante uma fase decisiva do desenvolvimento das lavouras tem reduzido a preocupação com a produtividade e pressionado os preços da oleaginosa.
Nos primeiros negócios do dia, os principais vencimentos oscilaram próximos da estabilidade. O contrato de agosto/2026 registrava leve alta, enquanto os vencimentos de setembro, novembro e janeiro apresentavam pequenas perdas. O movimento demonstra que o mercado segue avaliando o impacto das previsões climáticas sobre o potencial produtivo da safra norte-americana.
De acordo com analistas do Farm Futures, a chegada de umidade ao chamado Cinturão do Milho, região que também concentra grande parte da produção de soja dos Estados Unidos, tende a favorecer o desenvolvimento das lavouras durante o mês de agosto. Estados como Iowa, Minnesota, Illinois, Nebraska e Dakota do Sul devem receber chuvas em um momento considerado estratégico para a formação dos grãos, reduzindo os riscos de perdas por estresse hídrico.
As previsões de clima mais favorável acabaram superando o impacto do relatório semanal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que mostrou uma piora nas condições das lavouras. O percentual de áreas classificadas entre boas e excelentes caiu de 66% para 63%, enquanto aumentou a proporção de lavouras avaliadas entre ruins e muito ruins. Ainda assim, o mercado entende que as chuvas previstas podem recuperar parte desse potencial produtivo nas próximas semanas.
Com esse cenário, cresce a expectativa de que a produtividade média da safra norte-americana alcance ou até mesmo supere a estimativa de 53 bushels por acre projetada pelo USDA. Essa perspectiva levou fundos de investimento a realizar lucros e reduzir posições compradas no mercado. Somente na última quarta-feira, investidores liquidaram aproximadamente 18 mil contratos futuros de soja, além de venderem 5 mil contratos de farelo e 7 mil contratos de óleo de soja, ampliando a pressão sobre as cotações.
Nas próximas semanas, o comportamento do clima continuará sendo o principal fator de influência sobre os preços internacionais da soja. Caso as chuvas se confirmem e as lavouras mantenham bom desenvolvimento, o mercado poderá seguir pressionado pela expectativa de uma safra robusta nos Estados Unidos. Por outro lado, qualquer mudança nas previsões climáticas ou novos problemas nas lavouras poderá devolver volatilidade às negociações na Bolsa de Chicago.
