Soja sobe em Chicago antes de relatório decisivo do USDA
Mercado avança com ajustes técnicos e atenção aos novos dados de produtividade, estoques, área e demanda dos EUA.
João Victor Almeida - Foto: Schutterstock
8/12/2026


Os contratos futuros da soja operam em alta na Bolsa de Chicago nesta quarta-feira (12), enquanto investidores aguardam a divulgação do novo relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O documento é um dos principais direcionadores do mercado e pode provocar maior volatilidade nas cotações ao atualizar as perspectivas para a safra 2026/27.
Por volta das 7h30, no horário de Brasília, os principais vencimentos avançavam entre 6,50 e 6,75 pontos. O contrato novembro era negociado próximo de US$ 11,75 por bushel, enquanto janeiro de 2027 aparecia a US$ 11,90. Parte da recuperação também está relacionada a um ajuste técnico depois das perdas registradas na sessão anterior.
Entre os números mais aguardados estão as estimativas de área plantada, produtividade, produção, exportações e estoques finais dos Estados Unidos. A produtividade recebe atenção especial porque qualquer mudança significativa pode alterar as expectativas sobre o tamanho da nova safra norte-americana e, consequentemente, o equilíbrio entre oferta e demanda.
As condições das lavouras também permanecem no radar. Os últimos dados semanais do USDA apontaram alguma deterioração na qualidade das plantações, embora, até o momento, não exista uma ameaça climática generalizada capaz de comprometer significativamente o potencial produtivo. O mercado, portanto, tenta equilibrar a perspectiva de uma safra ainda elevada com problemas pontuais registrados em algumas regiões.
Outro fator importante é a demanda chinesa pela soja dos Estados Unidos. Novas compras realizadas nas últimas semanas contribuíram para sustentar as cotações. Na terça-feira (11), a China adquiriu mais 136 mil toneladas de soja norte-americana, reforçando a atenção dos investidores sobre o ritmo das exportações e as relações comerciais entre as duas potências.
Os derivados também ajudam a determinar a direção do complexo soja. Farelo e óleo permanecem no radar, principalmente diante da relação do óleo de soja com o setor de biocombustíveis e com o comportamento do mercado energético internacional.
Para o produtor brasileiro, a reação de Chicago após a divulgação do USDA será especialmente importante. Além da bolsa norte-americana, o dólar e os prêmios praticados nos portos continuam formando o tripé que determina boa parte das referências domésticas. Uma combinação favorável desses fatores pode abrir novas oportunidades de comercialização no mercado nacional.
A atenção, portanto, está concentrada na reação dos investidores aos novos números oficiais. Mudanças relevantes nas projeções de produtividade, produção ou estoques dos Estados Unidos podem definir uma nova direção para a soja nas próximas sessões, com reflexos diretos também sobre os preços oferecidos ao produtor brasileiro.
