Sorgo ganha força e já supera milho em preço
Com maior demanda, exportações e menor risco climático, sorgo amplia espaço e pode colocar Brasil entre líderes globais.
João Victor Almeida - Foto: Divulgação
8/20/20262 min read


O sorgo vive um novo momento no agronegócio brasileiro. Antes utilizado principalmente como alternativa ao milho na segunda safra, o cereal vem conquistando mercado próprio, maior liquidez e novas oportunidades de comercialização.
Nos últimos meses, houve momentos em que o sorgo chegou a ser negociado no porto de Santos por cerca de R$ 2,50 por saca acima do milho. Historicamente, o cereal costumava valer entre 70% e 80% do preço do milho, cenário que começa a mudar com o crescimento da demanda.
Um dos principais impulsos vem do mercado internacional. A China, maior consumidora mundial de sorgo, abriu seu mercado para o produto brasileiro, criando uma importante oportunidade para o país diversificar suas exportações. Cerca de cinco empresas brasileiras já estariam habilitadas para vender ao mercado chinês, enquanto mais de 100 buscam autorização.
O Brasil já exportou aproximadamente 1,2 milhão de toneladas de sorgo, equivalentes a cerca de 20 navios. A China absorveu aproximadamente 15% da produção brasileira, e outros mercados, como países do Norte da África e do Sul da Ásia, também apresentam potencial.
No mercado interno, o avanço pode ser ainda maior. Confinamentos bovinos, fábricas de ração e usinas de etanol estão ampliando o consumo, fazendo com que o sorgo deixe de ser apenas um substituto do milho e passe a ser utilizado como matéria-prima preferencial em alguns segmentos.
A produção acompanha esse crescimento. Dados da Conab indicam que a área cultivada na safra 2025/26 aumentou 32,9%, de 1,632 milhão para 2,168 milhões de hectares. A produção avançou mais de 20%, passando de aproximadamente 6 milhões para quase 8 milhões de toneladas.
Goiás permanece como principal estado produtor, enquanto Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso ampliam suas áreas. Bahia, Piauí e Tocantins também aparecem como regiões com grande potencial para novos polos produtivos.
Outro fator importante é o melhoramento genético. Os híbridos atuais apresentam características diferentes dos materiais utilizados anos atrás, incluindo avanços relacionados ao tanino, ampliando as possibilidades de utilização do cereal na alimentação animal.
No campo, a resistência à falta de água é um dos principais atrativos. Enquanto o milho pode demandar aproximadamente 600 mm de chuva, especialistas apontam que o sorgo consegue apresentar bom desempenho com cerca de 250 a 300 mm, desde que tenha água disponível nas fases mais importantes do desenvolvimento.
Essa característica torna o cereal uma alternativa estratégica para reduzir os riscos da safrinha, principalmente quando a janela de plantio do milho começa a ficar mais apertada.
O custo de produção também pode ser menor. Enquanto o milho pode chegar próximo de R$ 5 mil por hectare, estimativas apresentadas por especialistas colocam o sorgo na faixa de R$ 3 mil a R$ 3,5 mil por hectare, dependendo do manejo, tecnologia utilizada e produtividade desejada.
Com menor necessidade hídrica, custos potencialmente menores, expansão do consumo interno e abertura de novos mercados internacionais, o sorgo ganha importância na estratégia do produtor. A expectativa de representantes do setor é que, mantendo esse ritmo de expansão, o Brasil possa se tornar nos próximos anos um dos maiores produtores e exportadores mundiais da cultura.
