STF libera avanço da Ferrogrão e fortalece expectativa de nova rota logística para o agro
Decisão do Supremo mantém continuidade dos estudos da ferrovia que ligará Mato Grosso ao Pará, com foco em reduzir custos e ampliar competitividade do agronegócio.
João Victor Almeida - Imagem: Shutterstock
5/22/20262 min read


O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por maioria de votos, manter a constitucionalidade da lei que permite a continuidade dos estudos para implantação da Ferrogrão, ferrovia estratégica que pretende ligar Sinop (MT) ao terminal de Miritituba (PA), fortalecendo o escoamento da produção agrícola pelo Arco Norte.
A decisão foi considerada um marco importante para o setor logístico e para o agronegócio brasileiro, especialmente para os produtores do Centro-Oeste, principal região produtora de soja e milho do país.
O projeto da Ferrogrão, oficialmente chamado de EF-170, tem como principal objetivo reduzir os custos de transporte de grãos, diminuir a dependência do modal rodoviário na BR-163 e ampliar a competitividade brasileira no mercado internacional.
Segundo representantes do setor agropecuário, a ferrovia é vista como uma das obras de infraestrutura mais importantes para o desenvolvimento logístico do país nas próximas décadas. A expectativa é que o corredor ferroviário permita maior eficiência no transporte de cargas, redução no tempo de escoamento e menor impacto sobre os custos operacionais dos produtores rurais.
O julgamento no STF envolvia a análise da Lei 13.452/2017, que alterou os limites do Parque Nacional do Jamanxim, no Pará, permitindo a criação da faixa necessária para implantação da ferrovia e adequações ligadas à BR-163.
A ação havia sido apresentada por partidos e organizações ambientais, que questionavam a constitucionalidade da mudança na área de preservação. Apesar disso, a maioria dos ministros entendeu que a legislação é válida, autorizando a continuidade dos estudos relacionados ao projeto.
O avanço da Ferrogrão é acompanhado de perto por entidades do agronegócio, governos estaduais e empresas ligadas aos setores de logística e infraestrutura, que enxergam na obra uma oportunidade de modernização do sistema de transporte brasileiro.
Além da redução de custos, especialistas destacam que a ferrovia pode contribuir para desafogar rodovias, aumentar a capacidade de exportação pelos portos do Norte e melhorar a eficiência logística das cadeias de soja, milho e outros produtos agrícolas.
Mesmo com a decisão favorável do STF, o projeto ainda deverá passar por etapas técnicas, ambientais e regulatórias antes da efetiva implantação. Ainda assim, o julgamento foi interpretado pelo mercado como um avanço importante para a consolidação de uma nova rota estratégica de exportação do agronegócio brasileiro.
