Tensões globais impulsionam preços do trigo
Conflitos entre Rússia e Ucrânia e preocupações climáticas elevam as cotações internacionais, enquanto mercado brasileiro segue em ritmo lento.
João Victor Almeida - Imagem: Blog Nova Safra
7/28/20262 min read


Os preços internacionais do trigo registraram alta nos últimos dias, impulsionados principalmente pelo agravamento das tensões entre Rússia e Ucrânia, dois dos maiores exportadores mundiais do cereal. Além do cenário geopolítico, preocupações com o clima em importantes regiões produtoras da Europa e dos Estados Unidos aumentaram a incerteza sobre a oferta global, fortalecendo as cotações nas bolsas internacionais.
Na Bolsa de Chicago (CME Group), referência para o mercado mundial, o contrato com vencimento em setembro de 2026 voltou a superar a marca de US$ 7 por bushel, refletindo a maior percepção de risco por parte dos investidores. O conflito no Leste Europeu continua afetando a logística de exportação pelo Mar Negro, enquanto eventos climáticos adversos podem comprometer a produtividade em países que também têm papel importante no abastecimento global.
Além das questões geopolíticas, o mercado acompanha de perto o desenvolvimento das lavouras no Hemisfério Norte. Temperaturas elevadas, períodos de seca em algumas regiões e excesso de chuvas em outras aumentam as preocupações sobre o potencial produtivo da safra, contribuindo para a valorização dos contratos futuros.
No Brasil, entretanto, o cenário é diferente. Segundo o Cepea, a comercialização do trigo continua lenta, característica comum do período de entressafra. A oferta da safra passada permanece limitada, mas os moinhos já estão relativamente abastecidos, reduzindo a necessidade de novas compras no curto prazo.
Os produtores brasileiros também mantêm postura cautelosa nas negociações antecipadas da nova safra. Muitos preferem acompanhar a evolução das condições climáticas, o comportamento dos preços internacionais e a definição do potencial produtivo antes de fechar novos contratos de venda. Essa combinação de oferta restrita, demanda moderada e cautela dos vendedores mantém o mercado doméstico com poucas negociações.
Nas próximas semanas, o mercado seguirá atento ao desenrolar dos conflitos internacionais, às condições climáticas nos principais países produtores e ao avanço da nova safra brasileira. Esses fatores continuarão sendo determinantes para o comportamento dos preços tanto no mercado internacional quanto no mercado interno.
