Terremoto na Colômbia ameaça exportações e pressiona mercado global de café

Bloqueios dificultam o acesso ao porto de Buenaventura e podem atrasar embarques de um dos maiores produtores mundiais de café.

João Victor Almeida - Foto: Divulgação

8/12/20262 min read

Um terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia na segunda-feira (10) provocou impactos importantes na infraestrutura de transporte do país e passou a preocupar também o mercado internacional de café. Deslizamentos e bloqueios rodoviários dificultam o transporte do grão das principais regiões produtoras e processadoras até o porto de Buenaventura, no Pacífico, principal corredor de exportação utilizado pelo setor cafeeiro colombiano.

A situação ganha relevância pela posição da Colômbia no mercado mundial. O país está entre os maiores produtores e exportadores de café e possui forte participação no segmento de arábica lavado, utilizado por grandes torrefadoras e valorizado no comércio internacional. Na safra 2024/25, a produção colombiana ficou em aproximadamente 14,8 milhões de sacas de 60 kg, enquanto as exportações somaram cerca de 13 milhões de sacas em 2025.

O principal problema neste momento é logístico. Segundo a Associação Nacional de Exportadores de Café da Colômbia (Asoexport), mais de 60% das exportações de café do país passam por Buenaventura. Com importantes acessos rodoviários comprometidos, cargas que estão no interior enfrentam dificuldades para chegar ao terminal, criando risco de atrasos nos embarques internacionais.

O impacto também alcança o chamado Eixo Cafeeiro colombiano, que concentra importantes estruturas de processamento e comercialização em cidades como Manizales, Pereira, Armenia e Cartago. Mesmo quando o café já foi colhido e beneficiado, as dificuldades de transporte podem impedir que o produto avance para a etapa de exportação. Outras regiões produtoras, como Huila, Tolima, Cauca e Nariño, também enfrentam problemas para encontrar caminhões e alternativas logísticas.

Caso as restrições permaneçam por vários dias, o volume represado pode se tornar significativo. A Colômbia exporta aproximadamente 1 milhão de sacas por mês. A Asoexport estima que uma semana de interrupções poderia comprometer temporariamente o fluxo equivalente a cerca de 250 mil sacas, envolvendo centenas de caminhões e mais de 1.000 contêineres. Trata-se de uma projeção do fluxo potencial afetado, e não necessariamente do volume que já está parado.

O gargalo pode atingir também os próprios cafeicultores. Se as empresas não conseguirem retirar o café processado de suas instalações, haverá menos espaço para receber novos lotes. Com isso, exportadores podem ser obrigados a diminuir o processamento e, em um cenário prolongado, reduzir temporariamente as compras de café dos produtores.

Como alternativa, empresas estudam redirecionar parte dos embarques para portos da costa do Caribe, como Cartagena e Santa Marta. A estratégia, porém, envolve viagens terrestres mais longas, disponibilidade de caminhões, custos adicionais e rotas que também podem apresentar bloqueios ou dificuldades provocadas pelo terremoto.

Os reflexos já são acompanhados pelo mercado internacional. O café arábica apresentou valorização em Nova York em meio às preocupações com a disponibilidade global. A situação colombiana se soma a outros fatores que já mantêm o mercado sensível, como estoques reduzidos e incertezas climáticas relacionadas ao El Niño.

Se as estradas forem rapidamente liberadas, parte dos impactos poderá ficar concentrada em atrasos pontuais. Entretanto, uma interrupção prolongada pode comprometer cronogramas de entrega, elevar custos logísticos e aumentar a disputa por determinados tipos de café. Por isso, a velocidade de recuperação das rodovias e a normalização do acesso a Buenaventura serão decisivas para determinar o tamanho real do impacto sobre o mercado mundial de café.

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