Trigo inicia a semana pressionado, mas mercado segue atento à oferta na América do Sul

Contratos do trigo recuam na Bolsa de Chicago diante da expectativa de boa oferta global, enquanto produtores acompanham de perto o desenvolvimento da nova safra na Argentina e no Brasil.

João Victor Almeida - Imagem: Schutterstock

6/22/20262 min read

O mercado do trigo começou a semana com preços em queda na Bolsa de Chicago, principal referência mundial para a comercialização do cereal. A pressão sobre as cotações vem principalmente da expectativa de uma oferta global considerada confortável, impulsionada pelo avanço da colheita no Hemisfério Norte e pelas boas perspectivas de produção em importantes países exportadores.

Nos Estados Unidos, os investidores acompanham o andamento da colheita do trigo de inverno, que avança em diversas regiões produtoras. Com lavouras apresentando condições satisfatórias e expectativa de boa produtividade, o mercado internacional encontra dificuldade para sustentar movimentos mais fortes de alta nos preços.

Na América do Sul, o foco está voltado para a nova safra argentina. As estimativas apontam uma produção de aproximadamente 20,9 milhões de toneladas na temporada 2026/27. Embora esse volume seja ligeiramente menor em comparação ao ciclo anterior, a Argentina continua sendo um dos principais fornecedores de trigo para o mercado internacional e para países da América do Sul, incluindo o Brasil.

Para o produtor brasileiro, o cenário exige atenção redobrada. No Sul do país, principal região produtora de trigo, o desenvolvimento das lavouras segue sendo acompanhado de perto. As condições climáticas durante os próximos meses serão fundamentais para definir o potencial produtivo da safra e o comportamento dos preços no mercado interno.

Outro fator que continua dando sustentação ao mercado físico brasileiro é a oferta limitada de trigo da safra passada. Muitos produtores já comercializaram grande parte da produção anterior, reduzindo a disponibilidade do cereal e contribuindo para uma maior firmeza nas negociações em algumas regiões.

Apesar da pressão observada nas bolsas internacionais, o mercado brasileiro ainda encontra apoio na restrição de oferta e na cautela dos agentes diante das incertezas climáticas. Com a nova safra ainda em fase de desenvolvimento, produtores, cooperativas, moinhos e compradores permanecem atentos às condições das lavouras e às projeções de produção para o segundo semestre.

Nos próximos meses, o comportamento do clima no Brasil e na Argentina deverá ser um dos principais fatores para a formação dos preços. Caso ocorram problemas climáticos que afetem a produtividade, o mercado poderá reagir com maior firmeza. Por outro lado, se as condições continuarem favoráveis e a produção atingir os volumes esperados, a oferta tende a aumentar e limitar movimentos de valorização mais expressivos.

Dessa forma, o produtor rural deve acompanhar não apenas as condições da sua região, mas também o cenário internacional, já que fatores como produção global, clima e demanda continuam influenciando diretamente as oportunidades de comercialização do trigo.

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