Trigo recua em Chicago enquanto mercado acompanha efeitos do El Niño na safra mundial
Preços do cereal operam em queda nas bolsas internacionais, enquanto investidores monitoram o clima nos principais países produtores e as perspectivas para a oferta global.
João Victor Almeida - Imagem: Schutterstock
6/12/20263 min read


O mercado internacional do trigo iniciou esta sexta-feira (12) em baixa na Bolsa de Chicago (CBOT), refletindo a cautela dos investidores diante das perspectivas para a oferta global e das condições climáticas que influenciam as principais regiões produtoras do mundo. Embora as oscilações sejam moderadas, o clima segue como principal fator de atenção para produtores, exportadores e agentes do mercado.
Nas primeiras horas de negociação, os contratos futuros registravam perdas. O vencimento julho/26 era negociado a 584,50 cents por bushel, com recuo de 2,50 pontos. Já o contrato setembro/26 caía 2,75 pontos, sendo cotado a 595,50 cents por bushel, enquanto o dezembro/26 também recuava 2,75 pontos, alcançando 612,00 cents por bushel.
Grande parte das atenções está voltada para o comportamento do fenômeno El Niño, que deve ganhar intensidade ao longo do segundo semestre de 2026. Historicamente, o fenômeno provoca mudanças significativas nos padrões climáticos globais, afetando diretamente a produtividade agrícola em diversas regiões do planeta.
Entre os principais pontos observados pelo mercado está a situação da Argentina, um dos maiores exportadores mundiais de trigo. Diferentemente de outras regiões que podem enfrentar problemas climáticos, as previsões indicam que o El Niño poderá favorecer o país vizinho, trazendo chuvas mais regulares e melhores condições para o desenvolvimento das lavouras.
Segundo especialistas climáticos consultados por agências internacionais, a safra argentina de trigo pode atingir cerca de 20 milhões de toneladas na temporada 2026/27, volume que estaria entre os maiores já registrados pelo país. Caso essa projeção se confirme, a maior oferta argentina poderá aumentar a competitividade no mercado internacional e exercer pressão adicional sobre os preços globais do cereal.
Por outro lado, o fenômeno também desperta preocupações em importantes regiões produtoras da Ásia e da Oceania. Em países como Austrália, mudanças no regime de chuvas podem comprometer parte da produção agrícola, gerando incertezas sobre o potencial produtivo e a disponibilidade de trigo para exportação.
Além do fator climático, os operadores acompanham o avanço das colheitas no Hemisfério Norte, especialmente nos Estados Unidos, Europa e regiões do Mar Negro. O desempenho dessas lavouras será fundamental para definir o equilíbrio entre oferta e demanda nos próximos meses.
No Brasil, o foco permanece sobre o desenvolvimento das lavouras de inverno. A semeadura avança principalmente nos estados do Sul, região responsável pela maior parte da produção nacional de trigo. Produtores seguem monitorando as condições climáticas, já que as próximas semanas serão decisivas para o estabelecimento das plantas e para o potencial produtivo da safra.
A influência do El Niño também é observada pelos agricultores brasileiros. Em anos de atuação do fenômeno, o Sul do país costuma registrar volumes de chuva acima da média, o que pode beneficiar algumas culturas em determinadas fases, mas também aumenta o risco de doenças, excesso de umidade e dificuldades operacionais no campo.
Diante desse cenário, o mercado segue dividido entre fatores de pressão e sustentação. Enquanto a perspectiva de uma grande safra argentina contribui para limitar os preços, as incertezas climáticas em outras regiões produtoras mantêm os investidores atentos a qualquer mudança nas projeções globais.
Com isso, os próximos meses deverão ser marcados por forte influência das condições climáticas sobre o mercado do trigo. O comportamento do El Niño, o andamento das colheitas no Hemisfério Norte e o desenvolvimento das lavouras na América do Sul serão determinantes para a formação dos preços e para o equilíbrio da oferta mundial do cereal na temporada 2026/27.
