Trigo reduz perdas em Chicago, mas expectativa de safra global robusta limita recuperação
Mercado encontra suporte em compras técnicas, enquanto boas condições climáticas nos principais países produtores seguem pressionando as cotações internacionais.
João Victor Almeida - Imagem: AgroPós
6/15/20262 min read


Após iniciar a semana em queda, os contratos futuros do trigo negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) reagiram ao longo desta segunda-feira (15) e passaram a operar em leve alta. O movimento representa uma recuperação técnica após as recentes perdas, mas o mercado continua enfrentando pressão diante das perspectivas favoráveis para a produção mundial do cereal.
Por volta do meio-dia, o contrato com vencimento em julho de 2026 era negociado a US$ 5,87 por bushel, registrando ganho de 2,4 pontos. Os contratos para setembro e dezembro também apresentavam valorização moderada, refletindo um ajuste nas posições dos investidores após as quedas observadas nas últimas sessões.
A recuperação dos preços foi impulsionada principalmente por compras técnicas e pela cobertura de posições vendidas. No entanto, o cenário fundamental continua apontando para uma oferta global confortável, fator que limita movimentos mais expressivos de valorização nas bolsas internacionais.
Nos Estados Unidos, as condições das lavouras de trigo de inverno seguem favoráveis. As chuvas registradas nas principais regiões produtoras vêm contribuindo para o bom desenvolvimento das plantas e reforçando as expectativas de uma safra volumosa. Esse cenário continua sendo um dos principais fatores de pressão sobre os preços internacionais.
Além do mercado norte-americano, investidores acompanham atentamente o desempenho das lavouras em outros grandes produtores do Hemisfério Norte, como Rússia, União Europeia e Canadá. As projeções indicam boas perspectivas produtivas, aumentando a expectativa de oferta global para a temporada 2026/27.
No Brasil, o mercado apresenta comportamento diferente do observado em Chicago. Segundo levantamentos do Cepea, os preços internos permanecem sustentados pela oferta limitada da safra velha e pela postura cautelosa dos produtores, que seguem negociando volumes reduzidos enquanto acompanham a evolução da nova temporada.
A semeadura do trigo avança em ritmo acelerado nas principais regiões produtoras do país. Dados da Conab apontam que mais de 40% da área prevista já foi plantada, com destaque para o Paraná, onde os trabalhos apresentam avanço significativo. As condições climáticas têm favorecido o desenvolvimento inicial das lavouras, garantindo boa umidade do solo e perspectivas positivas para o estabelecimento da safra.
Apesar do progresso no campo, a liquidez do mercado físico segue limitada. Produtores continuam atentos aos riscos climáticos dos próximos meses e à evolução dos preços internacionais, enquanto os moinhos mantêm uma postura mais conservadora, realizando compras pontuais.
Para as próximas semanas, as atenções do mercado permanecem voltadas ao clima nos principais países produtores e ao avanço das colheitas no Hemisfério Norte. Embora a recuperação observada em Chicago traga algum alívio ao mercado, a expectativa de uma oferta global elevada continua sendo o principal fator de influência sobre as cotações do trigo no cenário internacional.
